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O Estado dos Dias

«O dia precedente é o mestre do dia seguinte.» - Píncaro

O bom senso e o racial

22
Set22

Escreve n'Observador Alberto Gonçalves o seguinte "É óbvia a tendência para empregar actores negros em papéis consensual ou evidentemente “brancos”. A chatice é que o mundo ameaçaria explodir à mera sugestão de um actor branco “ser” Martin Luther King"
Há elementos woke aos quais não adiro, porque o propósito woke não é, na sua maioria, mudar a sociedade, mas antes policiar e purificar o espaço público. Mas há mudanças que resultam do bom senso, do reconhecimento de novas dinâmicas socioeconómicas, demográficas, de identidade e identificação.
Ora, a propósito do que diz Alberto Gonçalves, podemos afirmar, com bom senso, que o Super Homem não precisa ser branco e heterossexual, desde que mantenha o núcleo de identidade visual da personagem. Pode até ser vegan. Diferente é o caso de pessoas reais ou até personagens demarcadas culturalmente. Uma pequena sereia negra não deixa de ser a pequena sereia. Está dentro de um patamar de elasticidade da personagem. Uma pequena sereia que voasse seria bastante mais problemático. Diferentemente, um Thor, enquanto divindade da mitologia nórdica, tem forçosamente de ser branco. Tal como Jesus não deveria ser loiro. É por isso que Martin Luther King não poderia ser representado por um ator branco, como Churchill não poderia ser representado por um ator negro. A menos que falemos de um exercício perfomativo de rutura de personagens. Tudo o mais é bom senso, coisa que falta e muito.
 
→ sobre este assunto ver também post sereias, apropriação cultural, racismo e simbologia inclusiva
 
[adenda: obrigado à equipa de Blogs do Sapo pelo destaque deste post]