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O Estado dos Dias

24.05.22

A paternidade é um exercício difícil de compaginar a vida sem tempo com o tempo preciso para educar. O desejo de fazer o melhor possível muitas vezes embate nas impossibilidades dos afazeres e na ausência de paciência. Percebe-se que há sempre um juízo de valor sobre os modelos de educação anteriores. Procura-se ser mais próximo, mais amigo, menos punitivo. Às vezes no excesso da compensação deformada. No entanto, muitas vezes seguir o modelo dos nossos pais não é um pecado, mas o ideal, porque hoje vê-se emergir uma geração de pais e crianças regidas por um modelo de pais-helicópteros (hiperprotetores que não preparam para as dificuldades e desafios) e crianças tiranas (que pela ausência de um "não" e de regras, são excessivamentr egoístas, individualizadas e emocionalmente frágeis). A geração snowflake vai ser ainda mais insuportável do que atual, com um preço tremendo sobre o contrato social e a ética comunitária. É diante desta realidade que a disciplina de Cidadania é hoje a mais essencial.

Da minha parte, sendo moralmente progressista, acreditando que a cada qual cabe o direito de ser o que quer, com quem quer, serei sempre eticamente conservador, na medida em que a convivência social implica regras, compromisso, respeito e um sentido de coisa pública inderrogável.

Cólofon

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