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Quem teve a oportunidade de ouvir Paulo Portas e Manuela Moura Guedes comentarem as presidenciais brasileiras com alguma atenção, terá notado pontos comuns entre os dois comentadores. Em primeiro lugar um conhecimento superficial do Brasil, resultante, acima de tudo, de leituras rápidas de jornais e do contacto com pessoas das classes sociais historicamente favorecidas. Por exemplo, a associação que Paulo Portas faz entre o crescimento do número de evangélicos no Brasil e o facto do atual Papa ser católico é de uma ignorância profunda, não coibindo de disparatar em causa própria. Em segundo lugar, ocorre um fenómeno de branqueamento ideológico de Bolsonaro, em que os principais elementos da sua personalidade política são suprimidos. Portanto, as inúmeras razões que justificam a ascensão meteórica de Bolsonaro, ligadas ao discurso de ódio, mas também ao apoio da imprensa conservadora e do eleitorado evangélico, numa perigosa aliança entre religião, política e media, não são invocadas. Bolsonaro é apresentado como um Salvador da Pátria, um herói anti-sistémico, o militar impoluto (o que não é, de todo verdade), comandante do povo na luta contra o malvado PT. A história desta eleição não é essa. É de lamentar tamanho desconhecimento da realidade. Mais grave será se ambos se revirem, como de alguma forma parece acontecer, no discurso do candidato presidencial. A oportunidade revela os bolsominions*.

 

* designação corrente para os apoiantes de  Jair Bolsonaro

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Dossier Presidenciais Brasileiras 2018


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