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O Estado dos Dias

«O dia precedente é o mestre do dia seguinte.» - Píncaro

Precisamos falar sobre a indústria da dependência do açúcar

14
Ago22

"Todos os corpos são de praia", é uma campanha lançada em Espanha. Não poderia ser de outra forma, afinal todos os corpos são humanos. Mas precisamos ir além do body shaming ou do combate a uma feminilidade e masculinidade ditas tóxicas, que determinam os corpos ideias. A obesidade, o excesso de peso, não podem ser retirados do seu quadro clínico negativo, perigoso e potencialmente letal, para serem inscritos na luta política dita woke de crítica social aos padrões normalizados. Para isso, precisamos retomar a consciência de que os gregos não estavam errados com a ideia de corpo são em mente sã, o que implica dar a devida atenção aos vários estudos e publicações científicas e de literatura científica tornada acessível (v.g. livros tais como "Como não fazer dieta") que colocam o dedo na ferida mais evidente do capitalismo: a forma como a indústria alimentar capturou o sistema político para produzir gerações dependentes do açúcar, com total apoio da indústria farmacêutica e das empresas de saúde privadas. A adição extra de açúcar em praticamente todos os alimentos é geradora de dependência. Isso é evidente na fast-trash-food, alimentos sem valor nutricionais, mas que gerando sensação de prazer criam dependência. Não é, pois, de estranhar que as gerações mais novas sejam cada vez mais obesas. Nestes dias de praia tenho contabilizado uma proporção avassaladora de pessoas com excesso de peso ou verdadeira obesidade, tendo-se tornado o novo normal em particular nas gerações entre os 15 e os 40 anos, as quais são particulares consumidoras deste tipo de alimentos. A fome emocional, o conforto emocional gerado pela sensação de prazer temporária dos alimentos carregados de açúcar, geram uma dependência equivalente à heroína e outras drogas, pelo que qualquer pessoa que nesse nível de dependência corte drasticamente com o consumo de açúcar irá experimentar a mesma sensação de dor e "ressaca" de um toxicodependente que corta de vez com a droga que habitualmente consome. Ora, isto nada tem que ver com valorizar a libertação dos padrões estéticos, mas antes com um problema profundo de dependência e saúde mental e física. Este processo de adição extra de açúcares para fins de dependência é muito evidente nos EUA, onde pessoas doentes gastam muito mais recursos financeiros com a saúde. É um ciclo vicioso que precisamos cortar, numa altura em que Portugal começa a seguir os exatos passos norte-americanos.