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O Estado dos Dias

19.05.22

Quando se conclui que Portugal é um país racista não significa (i) que o racismo seja uma política do Estado, (ii) que todas as pessoas que compõem a sociedade sejam racistas. O que se passa é que uma sociedade que foi colonial até muito tarde e que à custa do desejo de manutenção desse colonialismo durante o Estado Novo inventou para si um carácter benigno do seu colonialismo, naturalmente preserva traços de hierarquização racial e cultural, bem como processos de racialização dos sujeitos, que estando nas estruturas sociais e estaduais produzem efeitos na esfera dos sujeitos racializados. São os efeitos do racismo cordial, um tipo de racismo que aparenta não o ser.

Isto não significa, também, que tudo o que de menos bom acontece na vida dos sujeitos racializados seja justificado pelo racismo (porque a falta de sorte, de competência, talento, etc., está em todo o lado), mas implica que sejam pessoas que via de regra não partem das mesmas condições de partida, quer porque a raça tende a andar de braço-dado com a condição social e económica, seja por causa de um preconceito que imagina preguiça e inferioridade intelectual como determinadas pela raça (a contrario verifica-se a associação entre branquitude e mérito), afetando o sucesso escolar e profissional.

Cólofon

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