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Dias Assim

Rio

Novembro 29, 2021

João Ferreira Dias

Rio

É sabido que Rui Rio não tinha consigo o aparelho do partido, captado por Paulo Rangel em boa medida em razão da forte presença da corrente passista. Corrente que, aliás, estava bem presente no núcleo próximo a Rangel. Rui Rio sempre se bateu por ser um político antissistémico (narrativa em voga no Ocidente) no que ao partido diz respeito. Não ter a máquina partidária com ele era sinal de independência. Talvez crentes no aparelho «laranja», muitos históricos militantes acreditavam na vitória de Rangel. Em boa parte ansiosos pelo regresso do modelo passista de governação além da troika, com um programa ultraliberal económico, apostado no empobrecimento generalizado e recuo do Estado Social. No embalo do óleo dessa máquina política, Rangel apostou num discurso de campanha rumo à vitória. Não chegou. E não chegou porque os militantes livres do aparelho sabem que o PSD dificilmente vencerá as eleições legislativas, mas querem que o partido tenha influência na governação. Por outras palavras: Rui Rio, ao afirmar que viabilizaria um governo do PS, tornou-se mais fiável para influenciar a política socialista de António Costa, num acordo de cedências, permitindo um equilíbrio ao «centro», absolutamente necessário num contexto de radicalização política e instabilidade económica, social e pandémica. 

Cólofon

Dias Assim é um blogue de João Ferreira Dias, escrito segundo o Acordo Ortográfico, de publicação avulsa e temática livre. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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