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Dias Assim

07
Abr21

Rio Seco

Quando Rui Rio assumiu a liderança do PSD e prometeu recentrar o partido, procurando recuperar a herança Social-democrata tendencialmente de Esquerda do mesmo, sentiu-se um novo aroma, após o «passismo» — um período de bancarrota do país, mas marcado pela ideologia ultraliberal da privatização at large, pela crença na culpa dos cidadãos, e pelo esforço por construir uma narrativa hedionda do PS* —, que foi sendo de curta duração, à medida que o Rui Rio ia manifestando desprezo pela independência do judiciário e pela liberdade de imprensa. Chegámos ao período de preparação das eleições autárquicas e Rui Rio não foi capaz de evitar a deriva populista, confirmando Suzana Garcia como cabeça de lista à Amadora e o apoio a Isaltino Morais a Oeiras. No desespero para reivindicar vitórias, Rio abriu mão da salvaguarda da imagem do partido. Imagino José Eduardo Martins agarrado ao estômago.
 
* é inegável a má gestão de José Sócrates, mas convém ter presente que o ex-primeiro-ministro atravessou duas ideologias na Europa, primeiro o incentivo ao endividamento e despesismo do Estado, depois a inversa. E, por fim, como Porfírio Silva recorda, na sua conta no Facebook, o CDS e o PSD forçaram um memorando de entendimento de resgate danoso para a imagem do governo cessante.

Cólofon

Dias Assim é um blogue de João Ferreira Dias, escrito segundo o Acordo Ortográfico, de publicação avulsa e temática livre. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.