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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

14
Out20

A Carta de Amor de André a Rui

André Ventura escreveu uma carta a Rui Rio, defendendo que a queda do governo socialista, que ele entende que virá, trará a oportunidade de governo a uma coligação "inevitável" entre o PSD e o Chega. Ventura é um tipo da área política do PSD que tinha pressa de chegar ao Parlamento e muita sede de protagonismo. Criou o Chega para atrair os votos das franjas sociais mais descontentes, com teorias da conspiração, com voz nas caixas de comentários. Mas ele não quer estar preso a estas amarras eternamente, a menos que tenha de ser. Por isso, tanto joga no campo da extrema-direita europeia, quanto tenta aproximações ao centro. Aquilo que ele mais quer é aquilo que ele mais acusa os outros de quererem: poleiro.

05
Out20

AconChegados

Já tive a oportunidade de ver alguns momentos do Congresso do Chega. O partido padece dos mesmos problemas dos grandes partidos, mas a triplicar. É um conjunto de fações radicalizadas, que se odeiam, com objetivos e ideias diferentes para o país, a que se junta um grupo de sujeitos mais articulados com rancor ao sistema porque não fazem parte dele, e por isso estão ansiosos porque lá chegar. São pessoas que vociferam contra os tachos, mas que desesperam por um. Quanto a Ventura, personifica o líder carismático weberiano, mas no Chega, tal como nas Igrejas evangélicas, o líder não é amado por todos, notando-se a presença de desejosos de tomar o poder. Para compor o espetáculo, lá estava o homem que odeia as mulheres e o excitado com o partido que desdiz o líder - enquanto Ventura tentou transformar o ataque ao Estado Social num mito urbano, o voluntarioso sujeito afirmava o modelo ultraliberal de 100% privatizações.

30
Set20

Os Ovários de Ventura

A Direção do Chega quer a expulsão do autor da moção, rejeitada, para a remoção dos ovários às mulheres que pratiquem aborto fora do regime previsto pela lei anterior, ou seja em casos que não de má formação fetal ou violação. Não tivesse existido uma comoção nacional e a coisa passaria. No entanto, um partido que atrai todo o tipo de desajustados sociais, com as mais variadas soluções para "problemas" que assolam a sociedade, sujeita-se a ser um melting pot de delírios e fanatismos. Se a castração física de pedófilos atraia uma massa significativa de pessoas que acredita no modelo de justiça popular, a remoção de ovários representou um salto que o Chega só daria não havendo uma rejeição dentro do seu eleitorado. Perante a reação pública, Ventura quer ver essa nódoa rapidamente removida, não vá fazer estragos ao naperon que anda a costurar.

25
Set20

Micropost [57]

O que André Ventura disse de Paulo Pedroso e Ana Gomes é grave. Quem se revê nesta forma de fazer política não se revê na Democracia. Um Professor de Direito não deveria mencionar um processo arquivado colocando suspeitas sobre o sistema. Mais, não deveria falar em corrupção quando recebe vencimento para ajudar empresas a colocar dinheiro em offshores. Ele não quer mudar o sistema, ele quer tomar o sistema de assalto e controlá-lo.

10
Set20

O que diz Ventura, diz mais de si

Depois de Ana Gomes ser a "candidata cigana", agora Marisa Matias é a "candidata cannabis". Este tipo de ataques diz mais de Ventura do que dos visados. Não tanto do seu carácter, que é algo que ele deixou de parte quando começou a fazer política de espetáculo, e por isso não lho conhecemos de verdade, mas sobretudo da forma como pretender participar do jogo político, sem qualquer fair play e ciente de que existe uma franja eleitoral que responde a estímulos básicos e a clichés, pessoas que precisam que ele pense por elas e lhes digam como pensar e reagir. São pessoas que arrumam o mundo em binómios e preconceitos. A brasileira é "p%/", o negro é preguiçoso, etc. Como não pretendem conhecer os candidatos, e já são eleitores de Ventura por natureza, basta que arrumem os demais candidatos em "dos ciganos", "do cannabis", "do sistema", e por aí adiante. No final deste exercício classificatório depreciativo, sobra-lhes Ventura. Não interessa se este padece de muitas das contaminações de que acusa os demais, o relevante é que a sua narrativa seja coincidente com os preconceitos que as pessoas têm e o mundo esteja arrumado de forma simples.

08
Set20

Quem tem medo de Ana Gomes? André Ventura

Ventura sabe que Ana Gomes é a sua maior ameaça, porque representa a candidata à esquerda, democrática, antissistémica e anticorrupção, com algum toque populista e uma postura combativa. Portanto, aquilo que Ventura tomava como monopólio seu, mas à direita. Não é por acaso que o líder do Chega quer colar Ana Gomes ao termo "cigana", fazendo vibrar a campainha do seu eleitorado pavloviano. É o sinal do desespero. Cómico mesmo é a sua apresentação como cidadão comum. Não sei que comum cidadão teve uma bolsa de doutoramento paga pelos contribuintes para ir estudar em Cork, é docente universitário e avençado de grandes escritórios de advogados.

02
Set20

Micropost [54] | ai meu rico Chega

Cinha Jardim foi ao jantar-comício do Chega em Setúbal, facto que André Ventura fez questão de enfatizar nas redes sociais. Enquanto ato político-simbólico, estamos diante de um sinal claro da transferência eleitoral do CDS para o Chega. Isto revela que uma enorme fatia do eleitorado daquele partido não era apenas católico-conservador, mas preconceituoso (étnico-racial, social, sexual, religioso, etc.), e estava ali na falta de um partido que desse real expressão aos seus valores e modelo de sociedade: segregadora, sem mobilidade social e diversidade cultural. O espírito do Estado Novo não desapareceu com o 25 de Abril, esteve apenas à espera de oportunidade de regressar. Quando os pobres perceberem que o programa do Chega não os representa já será tarde.

07
Ago20

A Encruzilhada do CDS

Pedro Borges de Lemos, líder da corrente não formalizada do CDS, "CDS XXI", desfiliou-se do partido e mostra-se disponível para integrar o Chega. A notícia permite duas leituras justapostas: por um lado, é prova de que o CDS albergava muitos indivíduos com um pensamento pouco dado à democracia, herdeiro das elites conservadoras do Estado Novo, e que o surgimento do Chega tornou-se fator de cisão dentro do partido classicamente definido como "democrata-cristão"; por outro, esta situação poderia representar uma oportunidade de recentrar o partido, recuperando a sua feição democrática e de identidade forte, ao invés de se avizinhar como sintoma de fim de vida do partido. Mas para que este momento fosse, efetivamente, uma oportunidade política para o CDS, era preciso uma liderança experiente e forte. Ora, Francisco Rodrigues dos Santos, vulgo "chicão", é um erro de casting, uma ilusão de jovialidade besuntada com populismo a la Ventura e muita manteiga bolsonarista. O CDS que foi um partido vital na democracia portuguesa arrisca-se a desaparecer nos escombros de uma associação de estudantes. Chiquitito I tell you, you're what's wrong

04
Jun20

O fardo de Floyd foi não ter farda

A propósito do homicídio de George Floyd, escreve André Ventura no Twitter que com ele ofender polícias vai-se acabar. Isto do nós contra eles é uma maravilha. E eu a pensar que a polícia era um dos garantes da dignidade dos cidadãos. Não que discorde da necessidade de respeito pelas forças de segurança, bem como do reforço de meios e condições, mas será que o candidato-a-tudo também pretende acabar com a corrupção, crime e violência policiais ou o seu propósito é instaurar um estado policial onde as forças de segurança pública sejam inimputáveis? Onde é que já vimos isto?

26
Mai20

Micropost [45] Ventura e a Rixa

Nas redes sociais André Ventura aproveita uma rixa envolvendo indivíduos ciganos para fazer política, afirmando que não quer contribuir com os seus impostos para esta comunidade. O deslize discursivo óbvio. Se A então B. Não há contexto, só apropriação de atos com fins racistas. Na dúvida sobre a intenção de Ventura, pense: porque uma rixa de ciganos merece um comentário político e uma rixa entre vizinhos por causa de um pedaço de terra não? Porque há um caldo racial que convém aproveitar. Já agora, nós também pagamos o salário do Sr. Deputado e pagámos o seu doutoramento na Irlanda, com os nossos impostos. Chama-se Democracia, senhor.