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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Micropost [27] | Na veia do capitalismo

Dezembro 18, 2019

600 milhões serão injetados no Novo Banco. Não há como escapar à prisão gerada pelo sistema neocapitalista. A prioridade é, sempre, a banca, não as pessoas. É com este modelo fétido que as pessoas se sentem atraídas pelo populismo, desconsiderando que a solução que aqueles propõem, efetivamente, não passa, também, pelas classes mais baixas, mas pelo assegurar das condições favoráveis ao poder económico. Nada de diferente, portanto, a não ser no desapego pela democracia.

O neoliberalismo é a prisão da liberdade

Maio 07, 2019

Ouve-se por aí que há dinheiro para salvar bancos, mas não o há para recuperação das carreiras dos professores. Como lamento é aceitável, como posição política é populismo. Quer queiramos ou não, vivemos num mundo multipolar onde impera o neoliberalismo regulador enquanto paradigma de modelo de ordem global e de finanças dos Estados. Em consequência disso, estamos reféns da banca, obrigados a salvar bancos a qualquer preço a fim de evitar o colapso do sistema financeiro do país. A questão dos professores está ligada, então, à gestão corrente do Estado, e aceitar para uma classe implicaria aplicar, mutatis mutandi, os mesmos princípios às demais carreiras da função pública.

A crise fica-lhes bem.

Novembro 05, 2013

Uma significativa fatia da crise que estourou em 2008 adveio da falência da Lehman Brothers. Foi um golpe nas ilusões da invencibilidade dos bancos e nas ilusões do capitalismo sem eira nem beira. A sede de lucros dos gestores levou à distribuição louca de crédito, ainda na onda selvagem de incentivo ao endividamento. Ora, sabendo que o modelo político-financeiro atual é herdeiro de um ideal de mercado e dos ganhos da banca e dos bancos, é sempre importante que os bancos tenham prejuízo, nem que seja por os manter à tona da vida, junto das pessoas que lutam pela sobrevivência em países cujos governos as engolem. 

Assim não Bale.

Setembro 05, 2013

Para quem gosta de futebol a transferência de Gareth Bale do Tottenham para o Real Madrid agitou o mercado e marcou nova etapa na história da modalidade, ao ultrapassar os montantes da transferência de Cristiano Ronaldo, aquando da mudança do Manchester United também para o Real Madrid, e atingindo os redondos 100 milhões de euros. Os valores, pornográficos, são por si só motivo de insatisfação num mundo cheio de assimetrias. Podemos logo pensar em quantas crianças veriam a fome esquecida com esse valor ou quantas doenças podiam ser investigadas com reforço de equipamento no laboratório, etc. 

No entanto, a imoralidade da transferência de Bale adensa-se quando sabemos que esta só foi possível com o apoio do banco espanhol Banki, um banco intervencionado por fundos europeus. Derk Jan Eppink, eurodeputado belga, que exige uma investigação à mudança de Bale para Madrid, mais adianta: "Os fundos europeus não podem ser empregados para estas práticas insustentáveis". É um facto. Ainda para mais quando o Real Madrid tem um passivo bancário de 600 milhões de euros. Esta situação é ultrajante. Apesar de grande adepto do futebol e apreciar os jogos das transferências, a verdade é que considero que os clubes de futebol deveriam estar interditos de comprar jogadores até saldarem os seus passivos, como o do Benfica, na ordem dos 400 milhões de euros.