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Com efeito, Maria Teixeira Alves está certa em relação ao modelo político-económico e diplomático adotado por Donald Trump. O presidente norte-americano não apenas mantém um modelo já anteriormente privilegiado como não tem sido um cowboy nas relações internacionais. No entanto, olhar este ano de governo de Donald Trump apenas pela via económica é perigoso e, acima de tudo, preocupante, porque revela um pensamento acantonado (ou assim parece) à supremacia dos fatores económicos sobre os sociais. A agenda de Trump para o multiculturalismo, para a diversidade sexual, étnica e religiosa ficou bem clara com a supressão dessas pastas do site oficial da Casa Branca. A saída dos Estados-Unidos do acordo de Paris e a recusa de Trump em assumir uma agenda ecológica, rejeitando as alterações climáticas e defendendo a necessidade de aquecimento global -- o que aliás serve para garantir a estabilidade das indústrias poluentes que são a base económica da sua presidência -- são sintomáticas do perigo histórico do seu período à frente dos EUA. Por fim, as suas ligações à extrema-direita e ao KKK completam um quadro nada simpático, que só por teimosia se pode negar. 

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Lendo Blogues #3

13.11.16

  • Assertivo post de Pedro Rolo Duarte sobre as eleições americanas e a ilusão diferencial europeia (link). 

  • Apreensivo post de Rui Bebiano sobre os rumos da Europa entre a América de Trump e a Rússia de Putin (link).

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Faz três anos que me instalei nos blogs do Sapo e criei este A Morada dos Dias, entre outros projetos. Inaugurei o espaço com um postal sobre A Herdeira de Henry James, romance clássico da literatura norte-americana, seguindo-se um punhado de outros comentários sobre livros e uma nota sobre as confusões governativas a propósito do tribunal constitucional. Março celebra ainda, valendo o que vale, os meus 13 anos de blogatividade. A adolescência da escrita na rede. 

Para comemorar a data, inverto o processo corrente na plataforma e entrevisto o Pedro Neves, um dos mentores do Blogs.sapo, e quem me acolheu nos primeiros momentos na casa batráquia:

 

1. O que motiva a equipa dos Blogs do Sapo?
Uma equipa reúne diferentes pessoas, personalidades e talentos. Por isso, todos temos motivações diferentes e fizemos caminhos diferentes para aqui chegar. O "aqui" é uma plataforma que funciona, segura e, esperamos nós, confortável para quem quer partilhar com o mundo aquilo em que está pensar, sentir e ver.

2. Qual é o critério na escolha de um post para destacar?
O tema dos destaques é muito comentado pela comunidade. Isso é bom sinal, porque mostra que as pessoas valorizam essa visibilidade. Os destaques são isso mesmo, uma forma de dar pistas sobre o que está a acontecer no SAPO Blogs. Não é possível destacar todos, na medida em que não conseguimos ler tudo e todos, mas fazemos o nosso melhor. Explicamos mais em detalhe esse trabalho no nosso blog de equipa (http://blogs.blogs.sapo.pt/187339.html), onde também pedimos feedback e sugestões dos nossos visitantes.
 
3. A equipa de Blogs é também uma equipa de blogueiros?
Sim, mas nem todos e nem sempre :) Internamente, usamos a plataforma para planear o nosso trabalho e usamos vários blogs como ferramentas de gestão (os destaques, por exemplo, são feitos inteiramente com recurso a um blog).

 

4. no contexto do Facebook o blogue é uma ferramenta com futuro ou cada vez mais se escreve para o vazio?
O blog é um formato que revolucionou a forma de publicar conteúdos em linha e, à sua maneira, abriu a internet a muita gente. O facebook fez o mesmo, mas de uma forma diferente, que resolve necessidades diferentes, não tanto de publicação, mas de interação e sociabilidade virtual. É requente encontrar a analogia do Google como a auto-estrada da internet. O facebook podia ser as zonas de descanso dessa auto-estrada, onde as pessoas param para conversarem e comentarem sobre o que viram e encontraram. Ou seja, não é um destino final nem um substituto para tudo o resto na internet. É por isso que todos nós que trabalhamos no digital nos esforçamos para que os nossos conteúdos sejam facilmente partilháveis por lá. Nós queremos que os nossos conteúdos cheguem lá e a todas essas pessoas que o facebook soube reunir no mesmo lugar. Isso não substitui os blogs, mas também não resolve a questão, colocada na pergunta, de saber se todos os blogs encontram os seus leitores. Nesse sentido, os bloggers não são diferentes dos jornalistas, escritores, artistas, em suma, de qualquer produtor de conteúdos que se interroga sobre como pode fazer chegar o seu trabalho a mais pessoas. A resposta passa por muita dedicação, originalidade e, no mundo dos blogs, por uma plataforma que se esforça por dar visibilidade aos seus autores :)

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Túnel do Tempo é uma coleta de textos que escrevi noutros blogues, há anos atrás, e que por algum motivo quis recuperar, para mim mesmo, num arquivo, numa prova de que a escrita transforma-se. 

||| "Essa Tal Questão", 18 de fevereiro de 2009, blogue A La Gauche

O Fernando Mouro puxa para a mesa de debate o casamento homossexual. É curioso como se continua a discutir a possibilidade legal e civil de duas pessoas se unirem em laços socialmente considerados. Claro que essa união tem um pendor profundamente catolizado o que legitima a Igreja a comentar e proferir palavras de desencorajamento. É óbvio, que o casamento civil entre homossexuais não deveria estar ainda em julgamente ou pior ainda ser tratado com algum receio. A homossexualidade é uma verdade pragmática, é um dado social como qualquer outro. Representa condições naturais, genéticas e psicológicas próprias, tão naturais como a heterossexualidade. Existindo naturalmente deve ser legalmente constituída como representação de união civil. A Igreja representa o papel que lhe historica e culturalmente destinado. A laicidade representa o seu. No espaço entre essa dualidade vive o social em todas as suas representações. Tudo o mais que não seja a serena passagem da confirmação laica das possibilidades de união homossexual tratam-se de manobras carregadas de oportunismo mediático, de marketing de ocasião, e de publicidade eleitoralista. Entretanto, vai entretendo os portugueses vítimas de uma crise global. Não é pão e circo mas é parecido. E ao ser parecido retira grande parte do valor simbólico da luta subjacente.

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Túnel do Tempo é uma coleta de textos que escrevi noutros blogues, há anos atrás, e que por algum motivo quis recuperar, para mim mesmo, num arquivo, numa prova de que a escrita transforma-se. 

[a 25 de agosto de 2005, blogue Conotações Independentes]

Será que os jovens de hoje se movem por ideais ou tão-somente vivem sem lemas e aspirações? Todos nós já ouvimos a tão gasta expressão de que “o sonho comanda a vida”. É verdade ou será que é possível vivermos sem sonhos?
Talvez os inícios dos anos 80 e 90 tenham trazido uma nova realidade social juvenil: os jovens sem utopias. Os anos 60 e 70 ficaram marcados pelas juventudes com ideais, pelos anos hippies das contestações sociais, da revolução de ideias, do amor livre, dos excessos de uma vida que procurou ser chocante, mas acima de tudo procurou ser diferente. E foi diferente porque procurou criar uma sociedade nova, mas como todas as utopias são frutos que se foram.
E hoje a juventude é um conjunto de “tribos”, de dreads, betos, freaks, neo-hippies, etc, todos diferentes, todos sem ideais, todos fingindo viver a vida por valores comuns, todos fingindo algo que não sabem bem o quê.
E o que falta aos jovens são ideais, de resto já têm tudo, e talvez por isso não tenham ideais, porque a sociedade de consumo aniquilou as motivações. Porque os ideais nascem do desejo de criar ou mudar algo… e os jovens de hoje não ousam. E porque não ousam não vivem verdadeiramente o sonho da juventude em Verões Quentes.

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Dias de Conversas, são pequenas entrevistas com bloggers portugueses sobre a atividade blogosférica em tempos de redes sociais. Serão publicadas a ritmo semanal, às segundas-feiras. // A entrevistada de hoje é Graça Pires, autora do Ortografia do Olhar

1. O que a levou a criar um blogue?

--  Iniciei o meu blogue em 2006 porque apesar de já ter 8 livros editados a divulgação da minha poesia era muito escassa. Passei a publicar no meu blogue “Ortografia do olhar” os poemas já editados em livro e assim continua a ser (salvo raras excepções).

2. Diante do surgimento do Facebook e do Twitter, redes sociais mais imediatas, ainda se justifica ter um blogue? 

-- Não estou nas redes sociais por opção minha. Assim, continuo com o meu blogue onde os meus leitores sabem que me encontram. Passei a ter mais gente que me lê, o que é bom. Acho que faz sentido a existência de blogues apesar das redes sociais porque o blogue tem particularidades e intuitos específicos, apesar de a visibilidade não ser tão imediata e frequente.

 

 

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 Exceptuando meia-dúzia de blogues-gancho, como A Pipoca Mais Doce, O Jumento ou O Abrupto, a manutenção de um blogue, no cenário português, é feita de impulsos de escrita, de uma vontade que assalta cada blogger de escrever e dar ao mundo a ler. O blogue tornou-se, desde 2003, numa plataforma privilegiada de comunicação de massas, sem custos, requerendo apenas empenho, criatividade e uma boa rede de contatos para que não se escreva para o vazio. Os blogues transformaram definitivamente o paradigma da produção de conhecimento e dos mais variados conteúdos, desde o científico ao jornalístico, passando pelo entretenimento até ao voyeurismo. Produto de uma sociedade mediática e mediatizada, os blogues foram, também, uma utopia para quem fervilha de letras e textos. Quantos milhares de posts foram atirados para o vazio cibernético? Quantos posts de qualidade ficaram por ler, camuflados por posts de alguma figura pública, mas de menor qualidade de redação? Com o advento do Facebook e do Twitter, onde a interação entre escrita-leitura-reação tornou-se imediata e simplificada, será que os blogues ainda terão futuro? Serão eles os novos sites? Não haja dúvida que plataformas como a do Sapo contribuem para o prolongamento da vida da escrita blogueira e geram um sentimento de pertença, ao destacarem textos e entrevistarem autores. Mas no cenário atual, há futuro para o blogger desconhecido?

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Em matéria do caso Bárbara Guimarães vs Manuel Maria Carrilho, e a propósito do texto de Carla Hilário Quevedo (CHQ) sobre o assunto, abro o tom dizendo que o caso é necessariamente do foro jurídico e não público. Todo o mediatismo -- que revela um aproveitamento jornalístico muito pouco ético -- em redor dos acontecimentos retira a questão do domínio dos factos. O julgamento do caso em praça pública, ou ao menos a discussão do mesmo como «interesse público», tende a deturpar os contextos e a abrir espaço para uma opinião pública orientada, pois como bem diz a Carla as vítimas são silenciosas e coube a Carrilho o aproveitamento do espaço mediático em seu favor. Mais uma razão, então, para o caso não ser objeto mediático. Quem gosta de acompanhar a vida dos outros e opinar sobre ela deve fazê-lo recorrendo aos programas televisivos onde os sujeitos se oferecem para estar na vitrina, como a Casa dos Segredos e outros da mesma natureza. 

Seja como for, e não retirando a razão dos argumentos a CHQ, devo dizer que é perigoso avançar -- ainda que a título opinativo -- com conclusões de que o marido maltratante não ama a mulher. Há todo um caldo sociológico e psicológico envolvido nestes episódios de violência que não pode ser esterilizado. É importante levar em consideração as articulações entre exclusão social e violência doméstica (fatores económicos influenciam, por exemplo, a inversão da violência doméstica, i.e., fazendo de homens vítimas), as alterações aos paradigmas sociais que geram tensões simbólicas e os processos de mudança familiar. Há um mar de questões sociais e psicológicas que importa visitar para compreender o fenómeno, horrendo naturalmente, mas que não permite considerar a ausência de uma noção de amor, ainda que distorcida. 

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Lendo Blogues

20.01.15

Buscar o que dizem os pares, porque a blogosfera é feita de convivência, e já tinha isto de "partilhar" por aqui e por ali, ainda antes do advento do Facebook. Entre centenas que fogem à leitura, tão bons quanto estes (ou quem sabe melhores), fizeram-se ouvir:

 

» "Muito mais do que matar pixéis", Daniel Carrapa 

» " «A Batalha de Argel» nos tempos que correm", Rui Bebiano

» "Esquizofrenia?", Eduardo Pitta

» "Alvim, não desistas!", Pedro Rolo Duarte

» " Deixaste que o rio te levasse", Graça Pires

» "Marco Polo (2014)", Francisco Chaveiro Reis

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A capacidade humana de destruição é, prova a história, várias vezes superior à da edificação. É-nos intrínseca a guerra, o conflito, o ataque, a rejeição. Diante do diferente a mais pura atitude humana é a da rejeição, da segregação. A guetização dos judeus, a perseguição das minorias, a guerra santa, a evangelização, são exemplos claros da tendência humana para a imposição e rejeição. Caixas de comentários de blogues, jornais ou o mundo das redes sociais, revelam que é mais fácil ao ser humano criticar do que elogiar, condenar do que integrar. 

Atividades de grande exposição, como a política, estão permeáveis à crítica rápida e fácil. É inegável que se trata de uma profissão onde, por princípio, a excelência é um imperativo. No entanto, a forma como tem sido tratado o post da deputada socialista Catarina Marcelino indicia bem o apreço humano pelo ataque, em particular face aos que pensam ou representam modelos ideológicos diferentes. 

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