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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Adoção e Aborto: o significado do veto de Cavaco

Janeiro 25, 2016

Não se compreende a indignação generalizada perante o veto presidencial em relação à adoção por casais homossexuais bem como em relação às alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez. Cavaco Silva fez questão, neste seu último ato político como Presidente da República, de vincar todo o seu manual ideológico, reforçando a trave-mestra da sua vida política. Cavaco sai como entrou: policia e defensor da moral e dos bons costumes, o homem que não há muitos anos chamou ao Dia de Portugal o "dia da raça". Ao menos sempre fiel a si mesmo e aos seus princípios, mesmo que sejam de antes do 25 de Abril. 

O Exercício Presidencial.

Dezembro 26, 2013

Cavaco Silva, sempre muito imbuído de espírito natalício quando os governos são das suas cores, optou pelo status quo e por não incomodar o Tribunal Constitucional, não vá este continuar a fazer pautar a Constituição. Trata-se de uma decisão que nos endereça ao problema da necessária independência do exercício presidencial para que se cumpra um regular funcionamento das instituições e a salvaguarda da Constituição. Mas o cavaquismo sempre nos habitou que a prudência e a ação andam de braço dado com as cores governativas. Cavaco Silva é um homem comprometido com o PSD, mais do que um símbolo do conservadorismo quase-salazarista. Tudo isto para constatar que, a meu entender, o Presidente da República jamais deveria emergir dos partidos políticos. A lógica partidária serve a ideologia e assim os programas de governo que se cumprem nas autarquias e nos ministérios, mas não deveria influir na função presidencial a bem da independência. Teria Cavaco Silva enviado o Orçamento de Estados para fiscalização caso este fosse apresentado pelo PS? É uma pergunta que fica oportunamente. Nesse sentido, a independência presidencial estaria garantida se os candidatos fossem oriundos de setores ligados à vida pública para além dos partidos, como ONGs, movimentos cívicos, e ilustres figuras da sociedade. É uma ideia problemática, claro, pois toda ela mexe nos alicerces da política portuguesa, mas entre os pesos da balança o que seria mais favorável a independência do exercício presidencial? Hoje temos um presidente amarrado ao governo pelas cordas do partidarismo.

Discurso de Cavaco.

Julho 21, 2013

CAVACO SILVA, será, creio, um apreciador de José Hermano Saraiva, levando em conta a tentativa de narrar a história recente da democracia portuguesa. Depois de largos minutos de demagogia absoluta, de valorização da sua figura no meio da cena política atual, Cavaco traz-nos exatamente o esperado - o modelo de governação proposto pelo PSD e CDS irá avançar. Paulo Portas será o real primeiro-ministro enquanto Cavaco assegura a preservação do universo laranja no poder, ao mesmo tempo que alicerça o seu legado: presidente sempre ao lado do governo, desde que o governo seja do PSD. Os argumentos podem ser expostos da maneira mais eloquente, no final tudo se resumo a uma ideia: Cavaco Silva é um presidente medíocre que permitiu uma encenação política que endossa Paulo Portas como real governante, e que mantém Passos Coelho como PM formal. 

De um governo de Esquerda à Salvação Nacional: os tempos da desordem em que vivemos.

Julho 16, 2013

CAVACO SILVA procurou ser Presidente da República dos consensos, do status quo e da sobrevivência pessoal e do PSD. Ao governo PSD-CDS junta-se o PS, que de livre vontade caminha para a forca numa situação em que reconhece que será "preso por ter cão e preso por não ter" - a convergência com o governo é conivência com o rumo, a não convergência é procura desesperada pelo poder. O CDS, com ou sem a boa disposição de Paulo Portas (que viu fugir as rédeas do governo acordado com PPC), está empenhado na salvação nacional de iniciativa presidencial

Os excluídos - porque a Cavaco Silva a esquerda faz comichão e nada tem a oferecer ao país - pretendem um alinhamento próprio e alternativo. O BE quer convergir as forças canhotas, enquanto o PCP como tradicionalmente o faz, exclui o PS. Será neste jogo entre iniciativa presidencial e convergência maior ou menor à esquerda - que ficará responsável por fazer oposição - que se encontra depositado o rumo do país. Não é bom o horizonte.

Amena Cavaqueira.

Julho 11, 2013

CAVACO SILVA tomou, finalmente, uma atitude. É claro que a proposta de Cavaco Silva jamais traria desordem política, pelo contrário, levando a sério o seu papel de pacificador do espectro político nacional, o PR procurou por um lado garantir a sobrevivência do PSD na governação e por outro amarrar o PS, silenciando a oposição-candidata, deixando à esquerda vermelha o exercício de oposição, um barulho que tende a afetar pouco o PSD ou o PR, himself. A verdade é que procurando um bloco central, um governo de consenso entre os "três grandes" Cavaco Silva arrisca o caos político absoluto. O PS dificilmente dará a mão a um governo em queda - hipotecando assim as aspirações futuras - e o acordo entre Passos Coelho e Paulo Portas fica em banho-maria. Cavaco é, concordo, o pior político português da história da Democracia portuguesa.

Nos Jerónimos, missa governativa em formato comício.

Julho 08, 2013

A MISSA no Mosteiro dos Jerónimos foi um importante comício do PSD, com aplausos para o Primeiro-Ministro e para o Presidente da República. Sem as expensas e o cansaço de um congresso extraordinário do partido, o mundo 'laranja' reuniu todos os seus apoiantes numa missa que pareceu mais para esse fim do que para D. Manuel Clemente. O eleitorado conservador do PSD, e apoiante do PM e do PR, esteve ali todo reunido, não faltou um. E porque as missas são momentos de perdão e comunhão nada como fazer do ato um lavar de pecados e distâncias na governação, com um aperto de mão abençoado entre Portas e Passos.

Por Inusitadas Portas Morre um Governo.

Julho 03, 2013

PASSOS COELHO não se demite porque, sabemos, levou uma vida inteira à espera da oportunidade de chegar onde chegou. São os perigos da dependência do carreirismo político - não se compadece com a dignidade institucional. De Cavaco Silva já se sabe que não é possível esperar mais, o comprometimento com o governo, em nome da laranja cor que pinta o horizonte, é total, o país e os deveres presidenciais que se danem. A precipitada, infundada e pouco legítima escolha de Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças foi o gota de água num governo já em cuidados paliativos, acelerados com a saída de Vítor Gaspar, grande ideólogo do governo de PPC. Paulo Portas, que até então segurava o governo e coligação, faz o jogo que lhe convém, saindo a tempo de deixar a imagem de que abandonou o barco quando ele estava já inavegável, quando o rumo era já absurdo, desesperado e com o qual não poderia pactuar. Numa manobra muito própria garante a credibilidade mínima para ir às eleições e regressar ao governo.

Infelizmente para os portugueses foram dois anos a viver a loucura absoluta, o desnorte político, o falhanço orçamental. Infelizmente para todos nós, o pós-isto-que-vivemos não será melhor. O PS, mais sério candidato a governar, avança com um PPC de feições mais à esquerda, mas não menos carreirista e candidato do acaso. Os nomes fortes retraem-se diante de tempos loucos, tempos de uma Europa germanizada, de uma Europa presa ao capitalismo selvagem, de uma Europa que teima em não ser por si, diante dos mercados incontrolados e desumanos da China ou Índia, por exemplo. 

Enquanto formos governados pelas jotas partidárias e não pelos competentes estaremos condenados. Militância e antiguidade não devem ser sinónimos de poder fácil. Isto ainda é uma Democracia e não um regime hereditário.

A não passar Cavaco ao país.

Junho 11, 2013

COMEMORANDO o 10 de Junho Cavaco Silva fez questão de marcar a sua posição. Nada de novo, portanto, que o status quo existe para ser preservado. Sob a desculpa de que não entra em protagonismos, Cavaco desmarca-se das suas responsabilidades, atirando com a necessidade de uma atitude positiva como magistratura presidencial, esquecendo-se todavia de acrescentar: exceção feita nos casos em que o governo seja do PS. E depois de ter conduzido mal o país como primeiro-ministro é um vazio absoluto como presidente da República. Quadro exemplar de que a política portuguesa é um jogo com insondáveis regras e atores medíocres.  

Cavaco Silva, o presidente místico

Maio 16, 2013

EM TEMPOS de crise o recurso à religião é um dado sociológico conhecido. No entanto não era comum em Portugal desde que Salazar se fazia acompanhar do Cardeal Cerejeira. Cavaco Silva faz-se, por estes dias, habitar de nostalgia e recupera a política mística. Depois de ter considerado que a sétima avaliação da troika teve inspiração da Senhora de Fátima, agora invoca São Jorge na luta por dias melhores, reproduzindo a simbologia dos santos invocativos que subjaz ao catolicismo popular português.