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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Micropost [5]

Sob pingos de chuva, a inércia

Maio 07, 2017

Daria uma boa pesquisa, perceber os contornos psico-sociais dos portugueses que levam a considerar que a chuva impossibilita o normal funcionamento da sociedade. E assim lembro-me dos britânicos que vivem sob chuva constante, e as crianças brincam nos parques, porque a vida segue, no matter what.

There is something about rain

Outubro 19, 2016

© Fotografia de Siw Aldershvile

 

Sobre a chuva escreveu Sherwood Smith, «The only noise now was the rain, pattering softly with the magnificent indifference of nature for the tangled passions of humans». É essa indiferença que nos cativa, incessantemente escorrendo pelo tempo, desenhando abstratos rascunhos nos vidros e lavando as marcas humanas na calçada. Por isso gosto tanto de setembro e outubro, quando a folha cai e a chuva vem chegando ainda a medo, convidada pelo vento a fazer morada nas horas soltas dos nossos dias. É como se a chuva lava-se os limites disformes do quotidiano, das vivências vadias e fugidias, enquanto nos convida à quietude, à contemplação, à introspeção, ao silêncio, aos livros, às bebidas quentes e aos filmes. É como se a chuva fosse a senha para mergulharmos dentro de nós.