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Bolsonaro é produto de um grande esquema político-económico-mediático que constitui fraude eleitoral. A manipulação do eleitorado em grupos e mensagens do whatsapp é um crime gravíssimo que atenta contra o Estado de Direito. O ato eleitoral deveria ser impugnado e Bolsonaro deveria ser judicialmente impelido a comparecer aos debates que se esquiva por nada ter a dizer. Sem capacidade de debater com Haddad, Bolsonaro conta ser eleito com base em informações forjadas.

 

 

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 O futebol português está podre? Certamente que sim. Mas o fenómeno é de agora? É isolado? Desde o Estado Novo, ao período de ouro do FC Porto até ao presente que gravita em torno da Luz. O futebol acompanha forças políticas e hegemonias. Olhemos a promiscuidade entre clubes e autarquias para se perceber a forma como política e futebol se movem e cruzam. Mas o futebol é, apenas, a reprodução de um problema maior de natureza sociológica. Portugal é, ainda, um país de vivente corrupção, de valorização da chico-espertice, dos favores, dos jeitinhos, dos poderes instituídos e do caciquismo. É um país de burlas ao Estado, de baixas fraudulentas, de fugas aos impostos, de pagamentos de consultoria a empresas de deputados. O mal está no futebol ou numa cultura nacional de impunidade e falta de transparência?

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A imprensa portuguesa demorou para olhar este processo revolucionário brasileiro como aquilo que ele é: um golpe de Estado. As tendências conversadoras dos órgãos de comunicação social portugueses foi névoa sobre os olhos dos seus membros. As ligações do PT a casos de corrupção configuram um cenário problemático. O termo de posse emitido por Dilma a Lula, evitando a sua prisão conferem uma áurea nada positiva ao governo brasileiro, enfraquecendo a legitimidade governativa sob o altar das fidelidades. Mas o pano de fundo deste golpe não é, de modo algum, a corrupção que terá gerado um desgaste governativo de Dilma Rousseff. Esse é um problema estrutural dos sucessivos governos brasileiros. No panorama da corrupção o PT figura como um partido que roubou com uma mão e deu com a outra, tirando milhões de pessoas da pobreza, promovendo a mobilidade social, a escolaridade para todos, a abertura religiosa, a reparação cultural face às tradições ameríndias e africanas. E é, precisamente, aí que reside o problema. O governo que, eventualmente, se segue, liderado por Eduardo Cunha com o apoio de criminosos como Jair Bolsonaro, será um governo que roubará com as duas mãos, para dentro de um bolso das elites políticas e sociais brasileiras, em favor da reposição do status quo histórico brasileiro - demarcada segregação racial e fosso social entre ricos e pobres. A mobilidade social tem sido entendida como um cancro pelas classes altas e médias conversadoras brasileiras. Negros na Universidade, em empresas e outras funções de visibilidade económica, política, cultural e social, atentam contra o ideal dos golpistas. Ademais, o fator religioso não pode ser descorado. O golpe em marcha pretende não apenas reforçar a separação racial e repor a ordem de dominação branca como ainda visa estabelecer uma teocracia evangélica. O projeto de branqueamento social e cultural brasileiro está de volta. 

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Bezerra da Silva canta "Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão". É um retrato realista da política governativa brasileira. Nesse capítulo, não há dúvida, o Brasil não mudou. Razões históricas e de ordem sociológica explicam a preponderância da corrupção, desde uma recente democracia, a um período de regime autoritário que viciou a sociedade num modelo de "nós contra eles", em tudo semelhante ao caso português. 

No entanto, o que se está a passar no Brasil não é tanto um levantamento social contra a corrupção como modelo político instalado de base, um grito de "basta" irrompido onde outrora havia passividade. Também o é, certamente que sim, porque a sociedade brasileira mudou, graças a políticas sociais, implementadas pelo governo do PT, que permitiram tirar mais de 20 milhões de pessoas da pobreza extrema e gerar um novo tecido social com classe média e uma maior consciência social. Todavia, muito do que está em causa deriva disso mesmo - de uma viragem no status quo social brasileiro, em que os negros e mulatos se encontravam bem instalados na sua posição de passividade, de submissão, longe das universidades, dos shopping centers, e de profissões que a direita em protesto concebia como da sua exclusividade. O que está em causa é uma intensão da maioria da direita brasileira de regresso a um modelo social de segregação racial, de separação de classe decalcada na racialidade, em que os "pobres" e "negros" não cruzem os espaços dos "brancos" e "ricos". Por essa razão é essencial que "não vá ter golpe", porque no que toca a corrupção, sabemos, é substituir uma pela outra, com todos os defeitos (e são muitos) que o PT tenha. Esta manifestação é profundamente da diferente das ocorridas recentemente, onde se gritava que "o gigante acordou" exigindo políticas sociais diante dos gastos da Copa, não um golpe político. 

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