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Dias Assim

07
Abr21

O covid do nosso descontentamento

Estou em crer que o teste ao sucesso do desconfinamento será avaliado já nos próximos dias, tendo por referência a abertura das esplanadas. Não são as esplanadas em si, nem os comportamentos individuais, mas o aumento do "erro" natural, derivado da circulação de pessoas, que potencia a infeção, seja nas mesas, seja nos talheres, seja nos menus, seja nas torneiras, cadeiras ou o que for. Por não estar fechado num apartamento não precisei recorrer à esplanada para sentir o sol, ou o prazer mundano do dolce fare niente, pelo que compreendo a afluência às mesmas que se verificou. Não se pode é fingir que não haja um risco de propagação do vírus em decorrência desse fenómeno de abertura. Para já temos 663 infecções em 24h. Se há relação direta? Eventualmente ainda não. Aguardemos, sem desconsiderar as hipóteses.

15
Mar21

Micropost [74]

Desde o Duque de Wellington que Portugal é um bom horizonte para os britânicos. Inversamente, Portugal acostumou-se a depender do auxílio financeiro britânico. E é assim, respeitando o costume internacional entre ambos que vamos ter novamente a ponte aérea entre terras anglo-saxónicas e as praias e adegas lusitanas. Assim, para salvar a economia nacional vamos abrir a porta ao cavalo de Tróia do vírus. Vamos lá ver qual vai ser a política em relação ao Brasil, onde cada dia traz uma nova variante do covid-19.

12
Fev21

As Sobras das Vacinas: o que fazer?

As sobras das vacinas é, por ventura, um dos temas mais delicados associado ao processo de vacinação. Por vários fatores (como por exemplo o não comparecimento ou a impossibilidade de administração por apresentação de sinais virais) ocorre que sobrem doses que estavam previstas serem dadas. O que fazer com elas é uma questão séria, porque pode impulsionar a administração facilitista ou suspeita. Por essa razão, sou a favor da existência de um protocolo, que passa por vacinar bombeiros, agentes de autoridade e pessoal auxiliar hospitalar (limpezas, cantina, etc.).

02
Fev21

Micropost [71]

O uso indevido de vacinas é sintoma de que a corrupção não tem rosto, profissão, situação económica, condição racial ou outra. É uma componente humana ligada à oportunidade e à falência ética. Tanto é corrupto um político que abusa do seu poder, quanto um operário que declara falsamente ter estado com alguém infetado para beneficiar de descanso pago. É a natureza humana. É por isso que temos de ter cuidado com os discursos populistas do "cidadão do bem" contra a "elite corrupta". Lembremos que no Brasil o "cidadão do bem" é racista e se o filho for homossexual cura-o com porrada.

28
Jan21

Micropost [69]

Culpar o governo pelos números atuais de infectados, condenando a flexibilização do Natal e Ano Novo, que de resto a maioria da população desejava, é ficar a um degrau apenas de defender que as pessoas só sabem viver em ditadura. A folga dada contava com o bom-senso das pessoas, de que estas não iriam realizar festins como se o vírus fizesse uma pausa. Tivesse havido confinamento compulsório arranjariam forma de o furar. 

20
Jan21

O que fazer com as escolas?

A escola desempenha um papel determinante no combate às desigualdades sociais e económicas, sendo, muitas vezes, o único lugar onde as crianças e jovens em situações carenciadas obtêm uma refeição decente. No entanto, esse papel, em várias autarquias, foi exercido de forma suficiente durante o anterior confinamento, tendo sido possível levantar as refeições diariamente. É preciso ter presente, na análise à necessidade vs viabilidade de encerramento dos estabelecimentos de ensino, que um número muito elevado de crianças está diariamente com os avós, sendo estes quem os vai levar e buscar à escola, e com quem ficam até à noite, ou mesmo toda a semana. Essa situação já acarreta, por si, um risco elevado, porque muitos pais continuam e continuarão a depender desse apoio familiar. O que me parece evidente é que sabendo que os casos aumentariam exponencialmente com a flexibilização das festas de fim de ano e com a chegada do frio, poder-se-ia ter a) antecipado o começo das aulas em Setembro, b) alargado o período letivo até finais de Junho, começo de Julho, c) suspenso as férias da Páscoa, de forma a garantir que em Janeiro as escolas estariam encerradas. Isto porque apesar de todos os cuidados, tem havido surtos de casos nas escolas, os quais se tornam cadeias de transmissão difíceis de controlar – uma família não tem possibilidade de colocar uma criança em isolamento e a mesma pode ser assintomática, o que transporta uma falsa sensação de segurança para o núcleo familiar e relacional da criança.

Assim, fechar as escolas nos termos do confinamento geral anterior é insustentável (com exceção para o ensino universitário, nomeadamente o privado). Todavia, encerrar como período de férias e retomar o regular funcionamento posterior é, ainda, possível.

12
Jan21

A raiz quadrada do confinamento

Não me chocaria nada, pelo contrário, que as escolas encerrassem agora, por um período de um mês, com reciclagem da Tele-escola para revisão das matérias, e que no regresso às aulas o calendário se estende-se um pouco verão a dentro. É verdade que as crianças não são particularmente afetadas pelo vírus, mas vários epidemiologistas têm defendido que estas são veículo de transmissão para os parentes. Repito: esta pausa não contemplaria um processo de continuação por meio do ensino à distância, mas uma pausa efetiva, a ser reordenada com o calendário de férias escolares ou antes prolongando o período letivo pelo Verão.

20
Nov20

Sobre o Congresso do PCP

Não há dúvidas de que o partido tem uma capacidade organizativa que permite garantir o cumprimento das regras de segurança em tempo de pandemia. Coisa que não pode ser dita do Chega. Também não parecem existir dúvidas sobre a legalidade do congresso. Onde está, então, o problema? Na perceção pública. Sim, esta tornou-se um elemento da vida política que não pode ser desconsiderado. Cabe aos órgãos do partido compreender que apesar da ameaça global vir da extrema-direita (sob as suas mais elaboradas formas), transcorre o mito da ameaça «vermelha». Mais: não se trata de ficar preso a perceção nem a fatores eleitorais, mas antes perceber que em política a ideia de que o povo é que quem mais ordena se traduz na necessidade de legitimação pública. Por muito higienicamente responsável que o PCP seja, a perceção é, precisamente, a contrária - de que existe um regime de exceção para os comunistas. Em tempos de ameaça real da direita nacional-populista não convém que o PCP se satisfaça apenas com as suas fileiras e com a CGTP.

16
Out20

Micropost [63] take covid away

Todos nós temos apps no telemóvel que constringem as nossas liberdades. É, no entanto, facultativo instalar. A app stayway covid, ao se tornar obrigatória, invoca a necessidade de se saber se ela atenta contra o regime dos direitos, liberdades e garantias previstos na CRP. Tal como de saber se não abre o precedente para um Estado policial (ao tornar a segurança superior à liberdade).

13
Out20

Micropost [62] Pelo que Covidever

Nas imediações de diferentes estabelecimentos de ensino superior em Lisboa (e não tenho dúvidas de que o mesmo se passe em todo o país) tenho visto dezenas de estudantes a conviver (beber e fumar) sem máscaras ou qualquer distanciamento social. Acrescem as praxes. A pandemia já não mete medo. São dezenas de pessoas que vão ter contacto com dezenas de outras pessoas. Continuar a falar do Avante como fator de disseminação do vírus e não olhar para este problema (e outros similares) é fazer combate ideológico, não ação política cívica. 

Cólofon

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