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Dias Assim

O ataque norte-americano na Síria

"the american way"

Março 01, 2021

O tabuleiro americano no mundo não tem outra classificação senão «imperialista» e isto não seria discutível o ator fosse outro. A visão estratégica baseada no “Estado-Polícia Internacional”, como segurança própria em coutada alheia, desconsidera o impacto nefasto na ordem mundial. É verdade que as relações internacionais se baseiam na 'realpolitik', mas isso não é sinónimo de manipular a geopolítica em favor de exclusivos interesses económicos próprios. É um delírio de fé com força de dogma o princípio da vigilância e controlo mundial, uma narrativa que alimenta o patriotismo bélico dos cidadãos, mas que não convence ninguém fora desse quadrante, quando sabemos que a Democracia é um chavão para derrubar governos em i) países com petróleo, ii) países com gás natural, iii) países com portos e rotas comerciais estratégicas, iv) países com localização vital na divisão bipolar do mundo com a Rússia.

O efeito da Absolvição de Trump

Fevereiro 14, 2021

 O facto de Donald Trump ter sido absolvido não é sinal de que a Democracia americana se funde na legalidade, nem que esta é saudável ou se garante nas instituições. Pelo contrário. Desde o ataque ao Capitólio que ficaram claras as fragilidades inerentes à Democracia estadunidense, revelando a cores intensas as falhas de um sistema representativo, não do coletivo, mas antes de interesses particulares. A gestão de Trump e votação do seu impeachment parece uma transposição para realidade da série House of Cards. Ficou evidente que o partido Republicano continua capturado pelo trumpismo, o que permite acreditar que ainda há lugar para Donald Trump na política americana e, quem sabe, na Casa Branca, uma vez mais. As razões fundantes deste pensamento são, pois, as seguintes: i) a absolvição cai na opinião pública como legitimação de Trump e não como captura do Senado pelos republicanos pró-Trump, ii) o Partido Republicano permanece, como dito, capturado pelo trumpismo, não tendo uma alternativa capaz de fazer crer numa conquista da Casa Branca sem o viés populista autoritário de Trump, iii) o Partido Democrático tem um presidente a-carismático e poderá apostar em Kamala Harris, uma candidata que não garante um consenso popular alargado. Portanto, o fantasma de Trump continuará a pairar fortemente, numa América ferida, dividida, e com as trincheiras reforçadas por esta absolvição.

Micropost [58] Amy Coney Barrett

Setembro 27, 2020

este é o nome escolhido por Donald Trump para o Supremo Tribunal, para substituir Antonin Scalia, falecido. Barrett é uma defensora da interpretação literal da Constituição norte-americana, opositora ao aborto, conservadora católica. Segundo Trump, vem garantir a liberdade religiosa no país, metáfora para dizer que vem defender uma visão religiosa da sociedade. O ST fica, definitivamente, desequilibrado em favor dos Republicanos, um partido tomado pela Oligarquia Trump, como se pode ver no último congresso do partido.

Micropost [29] | Trumpty Dumpty had a great fall?

Dezembro 20, 2019

A grande questão não é se a destituição é aprovada no Senado, coisa, que não será, não só porque o Senado está dominado pelos republicanos, como nenhum impeachment foi aprovado naquela sede anteriormente. A questão é saber qual o efeito na popularidade e na reeleição de Trump. A julgar pela tipologia do seu eleitorado mais fiel e pela capacidade de vitimização e de resistência pública do presidente norte-americano, não será este processo que o vai impedir de ser reeleito. Tudo isto é prova de que vivemos um tempo diferente, que conjuga o realismo maquiavélico com a pós-verdade e uma bipolarização do sistema político e social, com a emergência de visões maniqueístas da sociedade e da atividade política e um nova onda de puritanismo ideológico.

Micropost [23] | Pós-Democracia

Novembro 29, 2019

O processo de impeachment de Donald Trump revela de forma clara e evidente a extensão e a gravidade das ações de um homem que acredita ter comprado o país como quem compra uma empresa cotada na bolsa. Aquilo que outrora seria matéria mais do que suficiente para a destituição e a vergonha de uma nação, não conduzirá a nada. Os seus apoiantes tomam por normais as suas violações democráticas. Na era do cansaço da ética tudo é lícito a um certo tipo de pessoas. Teremos Trump por mais um mandato e a consolidação da era pós-democrática como paradigma vigente.

A Guerra à Huawei

Maio 29, 2019

A guerra tecnológica continua, camuflada por uma narrativa de espionagem e segurança nacional. Este boicote americano à Huawei não passa de uma reação norte-americana ao exponencial crescimento qualitativo dos equipamentos da gigante chinesa. Dos telemóveis, aos tablets, passando pelos computadores portáteis. A tecnologia de topo da empresa chinesa ameaça a Apple. Em segundo lugar, estamos diante de um cenário de guerra comercial, uma vez que a Huawei tem vindo a aumentar exponencialmente a venda de telemóveis, inclusive em matéria de exportação, ao passo que a Apple vem registando uma drástica quebra nas vendas. Quando a isto se associa um combate ideológico ao comunismo, temos uma oportunidade única para os EUA protegerem uma empresa que já fez coisas fantásticas.

Ainda a Venezuela

Fevereiro 25, 2019

O maniqueísmo com que se vê tratada a questão da Venezuela é de enorme ingenuidade e só serve para alimentar a perceção de uma nova guerra fria. Isto nada tem a ver com ditadura comunista versus democracia. Nem a Venezuela é uma ditadura clássica, nem os EUA são particulares guardiões do princípio democrático. Como bem sabemos, o neo-liberalismo não se compagina com ajuda humanitária. Isso é um logro. Se assim fosse, não haveria mais de 40 milhões de americanos a viver abaixo ou no limiar da pobreza. Tudo isto é uma guerra pelo recurso que mantém viva a máquina imperialista norte-americana e os seus aliadas. O segredo está em saber como mover as peças certas para que o petróleo permaneça nas mãos mais suaves para o Ocidente. Não é realpolitik é apenas a lei da sobrevivência e do mais forte. Hoje é o petróleo a ordenar o mapa das relações internacionais, amanhã será a água.

Cólofon

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