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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

27
Set20

Micropost [58] Amy Coney Barrett

este é o nome escolhido por Donald Trump para o Supremo Tribunal, para substituir Antonin Scalia, falecido. Barrett é uma defensora da interpretação literal da Constituição norte-americana, opositora ao aborto, conservadora católica. Segundo Trump, vem garantir a liberdade religiosa no país, metáfora para dizer que vem defender uma visão religiosa da sociedade. O ST fica, definitivamente, desequilibrado em favor dos Republicanos, um partido tomado pela Oligarquia Trump, como se pode ver no último congresso do partido.

20
Dez19

Micropost [29] | Trumpty Dumpty had a great fall?

A grande questão não é se a destituição é aprovada no Senado, coisa, que não será, não só porque o Senado está dominado pelos republicanos, como nenhum impeachment foi aprovado naquela sede anteriormente. A questão é saber qual o efeito na popularidade e na reeleição de Trump. A julgar pela tipologia do seu eleitorado mais fiel e pela capacidade de vitimização e de resistência pública do presidente norte-americano, não será este processo que o vai impedir de ser reeleito. Tudo isto é prova de que vivemos um tempo diferente, que conjuga o realismo maquiavélico com a pós-verdade e uma bipolarização do sistema político e social, com a emergência de visões maniqueístas da sociedade e da atividade política e um nova onda de puritanismo ideológico.

29
Nov19

Micropost [23] | Pós-Democracia

O processo de impeachment de Donald Trump revela de forma clara e evidente a extensão e a gravidade das ações de um homem que acredita ter comprado o país como quem compra uma empresa cotada na bolsa. Aquilo que outrora seria matéria mais do que suficiente para a destituição e a vergonha de uma nação, não conduzirá a nada. Os seus apoiantes tomam por normais as suas violações democráticas. Na era do cansaço da ética tudo é lícito a um certo tipo de pessoas. Teremos Trump por mais um mandato e a consolidação da era pós-democrática como paradigma vigente.

29
Mai19

A Guerra à Huawei

A guerra tecnológica continua, camuflada por uma narrativa de espionagem e segurança nacional. Este boicote americano à Huawei não passa de uma reação norte-americana ao exponencial crescimento qualitativo dos equipamentos da gigante chinesa. Dos telemóveis, aos tablets, passando pelos computadores portáteis. A tecnologia de topo da empresa chinesa ameaça a Apple. Em segundo lugar, estamos diante de um cenário de guerra comercial, uma vez que a Huawei tem vindo a aumentar exponencialmente a venda de telemóveis, inclusive em matéria de exportação, ao passo que a Apple vem registando uma drástica quebra nas vendas. Quando a isto se associa um combate ideológico ao comunismo, temos uma oportunidade única para os EUA protegerem uma empresa que já fez coisas fantásticas.

25
Fev19

Ainda a Venezuela

O maniqueísmo com que se vê tratada a questão da Venezuela é de enorme ingenuidade e só serve para alimentar a perceção de uma nova guerra fria. Isto nada tem a ver com ditadura comunista versus democracia. Nem a Venezuela é uma ditadura clássica, nem os EUA são particulares guardiões do princípio democrático. Como bem sabemos, o neo-liberalismo não se compagina com ajuda humanitária. Isso é um logro. Se assim fosse, não haveria mais de 40 milhões de americanos a viver abaixo ou no limiar da pobreza. Tudo isto é uma guerra pelo recurso que mantém viva a máquina imperialista norte-americana e os seus aliadas. O segredo está em saber como mover as peças certas para que o petróleo permaneça nas mãos mais suaves para o Ocidente. Não é realpolitik é apenas a lei da sobrevivência e do mais forte. Hoje é o petróleo a ordenar o mapa das relações internacionais, amanhã será a água.