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Os ataques em política, como de resto noutros lugares comunitários, servem muitas vezes para camuflar realidades próprias. O ataque cerrado à coligação de esquerda, encabeçada pelo PS, levado a cabo pelos partidos então no governo, partia de dois pressupostos erróneos: 1. que uma coligação a posteriori não era legal, 2. que não há Democracia se esta não contiver pelo menos um dos partidos de direita no poder. Quanto ao primeiro pressuposto basta dizer que a coligação PSD-CDS foi, na primeira legislatura, firmada após os resultados eleitorais. Quanto à segunda basta dizer que se António Costa tivesse aceite coligar-se à direita era hoje Vice-Primeiro-Ministro porque Paulo Portas estava disposto a abrir mão do seu lugar. No que concerne à sede de poder que apontaram a Costa estamos conversados. No que se refere, enfim, à concepção limitativa de democracia, não resta muito a dizer. Vícios de forma de outros tempos. 

Ora, depois de anos a fazerem do governo de José Sócrates bode expiatório e almofada para a necessidade de austeridade -- a qual sempre disseram, assim de fugida, que era parte do seu programa ideológico --, e de meses de campanha a anunciar o sucesso do programa troikista, eis que as notícias nos revelam que não há dinheiro para cumprir os compromissos com os credores. O golpe de teatro final surgiu em dois atos: proposta de restituição de 4 feriados e a nomeação à última da hora de 100 postos nos gabinetes do governo cessante. A 2 de junho de 2011, Passos Coelho escrevia no Twitter que não queria ser eleito para dar empregos a amigos. Entende-se, portanto, que os 100 funcionários metidos à pressão são meros conhecidos. As consequências herdam-nas o atual governo. 

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Ao cabo de dois anos de exercício, durante os quais o país ficou pior, em que o tecido social se degradou, em que se regressou ao asfalto rumo a "Paris da França" e tantas outras gares de esperança, em que a austeridade a toda a dimensão tem feito as suas vítimas declaradas, em que as empresas ligadas ao aparelho partidários lucraram violentamente, em que toda a receita se provou fracassada e o arquiteto-mor saiu cabisbaixo, em que foram tomadas todas as medidas contrárias ao apresentado em programa de governo, aos berros e sorrisos de campanha, o Primeiro-Ministro apela a uma grande união nacional. Não sei, sinceramente, onde buscará ele consensos e apoios. A oposição ou se vende ou imperando a dignidade não pode deitar a mão a este modelo de governação. Há um país que desaparece a larga escala. Há uma Europa a um sedenta de arar a terra em redor para passear nela o seu gado. Por cá tudo se faz para que esse silencioso desejo se cumpra. Para a falésia e mais além. 

 

→ um muito bem pensado post.

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O que a análise de Miguel Vale de Almeida nos deixa compreender é precisamente que vivemos governados por uma direita particular, com uma noção bem definida de modelo de sociedade. Já o disse antes esta é uma geração/direita que não aceita nem perdoa que os filhos dos remediados tenham ido para a faculdade e muitos tenham conseguido, por essa parte, promover a ascensão social. Arriscaria dizer que falamos de colegas de carteira que por mérito próprio não precisaram da política para se fazerem "alguém". Por isso esta malta que nos governa quer uma sociedade em que só quem tem pode ser alguém. Só os filhos dos doutores e engenheiros o podem ser também. O resto que seja proletariado. Só esquecem que estarão, por ventura, a construir um proletariado que votará no mais velho inimigo do Estado Novo.

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O mundo está em mudança. Não necessariamente para melhor, entenda-se. A inexorabilidade do programa da troika é claro. O projeto do atual governo é claro. O empobrecimento generalizado é um programa bem definido, bem pensado. Nada do que está a acontecer o está por acaso. O ir além da troika tem apenas um objetivo: fazer da classe média um retrato do passado. Não há nada que insulte mais este governo do que a classe média, do que os filhos dos remediados que foram para a universidade, que estudaram e promoveram a sua própria mobilidade social. Esqueceram-se, contudo, de um dado fundamental e que levou Vítor Gaspar a fazer as malas e sair pela porta pequena: nenhuma economia sobrevive sem o consumo da classe média. Vão perceber tarde.

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ELEIÇÕES tornaram-se um tema tabu na política nacional. O fantasma de um novo governo paira sobre o espetro político português e há um medo do desconhecido. As ameaças de Cavaco Silva e de certos analistas de que as eleições seriam catastróficas para o país espelham bem o poder da mão invisível dos mercados e dos bancos sobre o governo português. Não obstante, a ironia do rumo aprovado por Cavaco Silva, que endossa Paulo Portas e o CDS como poder sobre o poder, é que temos hoje um novo governo, não apenas formalmente mas em vários aspetos ideologicamente. A perigosa ligação aos bancos continua lá, e maquiavelicamente camuflada, mas desenganem-se os que pensam que nomes como Pires de Lima não têm uma outra leitura dos rumos. 

 

 → sugestão de leitura:Der Terrorist.

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A MOÇÃO DE confiança ao governo será mais um ato da imensa encenação governativa que vamos vivendo. Infelizmente para o país a mediocridade de Cavaco Silva tem servido de bolha de oxigénio para o governo. A trapalhada do acordo tripartidário caiu pior ao PS, que se viu arrastado para a lama ao procurar, precisamente, fugir dela. Passos Coelho sobrevive num papel de vítima: "A confiança que conquistámos ao longo destes dois anos foi um pouco abalada". Papel que, afinal, espelha bem que só quem precisa do poder se agarra a ele. Por isso, como bem relembra Nuno Ramos d'Almeida, "vamos chegar ao fim do período de intervenção da troika, em Junho de 2014, com mais problemas económicos de que quando a famosa “ajuda” cá chegou". Mantendo-se como ventríloquo de Vítor Gaspar, PPC declarou há dias, em Vila de Rei, que as pessoas gastaram menos do que o esperado e que isso se tem refletido negativamente na economia portuguesa. Esta declaração é um sinal claro de que o governo tem vivido enclausurado e longe da realidade. Sem dinheiro não é fácil às famílias consumirem. Somente Passos Coelho Vítor Gaspar poderia imaginar que com mais impostos e menos dinheiro as famílias continuariam em modo autómato a consumir.

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A MISSA no Mosteiro dos Jerónimos foi um importante comício do PSD, com aplausos para o Primeiro-Ministro e para o Presidente da República. Sem as expensas e o cansaço de um congresso extraordinário do partido, o mundo 'laranja' reuniu todos os seus apoiantes numa missa que pareceu mais para esse fim do que para D. Manuel Clemente. O eleitorado conservador do PSD, e apoiante do PM e do PR, esteve ali todo reunido, não faltou um. E porque as missas são momentos de perdão e comunhão nada como fazer do ato um lavar de pecados e distâncias na governação, com um aperto de mão abençoado entre Portas e Passos.

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AS NOTÍCIAS dão conta da saída de Vítor Gaspar do governo de PPC. Em linguagem desportiva estamos diante de uma verdadeira "chicotada psicológica", porque Gaspar assumia no governo a função que um treinador de futebol, por exemplo, assume num clube - é o mentor de uma ideologia, de um modelo de gestão, responsável pela escolha do plantel, etc. A estratégia do governo foi, até agora, da exclusiva responsabilidade e (in)competência de VG. A saída deste é, em traços largos, o fim do governo, e a promessa de um novo, mesmo que o líder formal se mantenha. Haverá uma enorme expectativa para saber que rumo Portugal tomará, que tipo de austeridade teremos, e até que ponto as regras da troika e o ir além da troika estavam condicionadas pelo ministro das Finanças cessante. 

Já agora, uma esperança: que nas universidades a sociologia e a história façam parte da formação em Finanças, porque não há números sem pessoas, nem teorias sem história. 

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O LÓBI das editoras escolares é algo que me aborrece profundamente, em particular vendo-lhe a conivência dos sucessivos governos portugueses. A forma pouco ética como ano após ano se renovam as edições inviabilizando a transmissão entre gerações próximas deveria ser considerada atuação em cartel. Infelizmente não é porque há mais na vida que o bem comum. Por isso, a educação vai tendo um peso cada vez maior nos orçamentos familiares, ao ponto de impossibilitar cada vez mais famílias de continuarem a enviar os filhos para a escola.

Para já não é problema enquanto a parte afetar pouco os dados do todo. Nos entretantos, há quem vá lucrando com este vazio legal. Os bons exemplos "lá de fora" só servem em causa própria, porque ninguém gosta que se recorde que na esmagadora maioria dos países minimamente sérios os livros são gratuitos e permanecem sem revisões por um período suficiente para servirem a um número considerável de crianças e jovens. 

Ah, como é bela a primazia da educação...!

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NÃO se esperava muito do Conselho de Estado que reuniu ontem. Pena é que o mesmo veio dar razão às expectativas negativas e foi, a levar em conta a comunicação oficial, aquilo que parece: a late brunch in a gentlemen's club. Por ali se trocam ideias, se dizem uns quantos chavões políticos, se reclama q.b., se geram pequenas divergências para, no final, se fumar o charuto conciliador e deixar o país exatamente na mesma.

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