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Dias Assim

O efeito da Absolvição de Trump

Fevereiro 14, 2021

 O facto de Donald Trump ter sido absolvido não é sinal de que a Democracia americana se funde na legalidade, nem que esta é saudável ou se garante nas instituições. Pelo contrário. Desde o ataque ao Capitólio que ficaram claras as fragilidades inerentes à Democracia estadunidense, revelando a cores intensas as falhas de um sistema representativo, não do coletivo, mas antes de interesses particulares. A gestão de Trump e votação do seu impeachment parece uma transposição para realidade da série House of Cards. Ficou evidente que o partido Republicano continua capturado pelo trumpismo, o que permite acreditar que ainda há lugar para Donald Trump na política americana e, quem sabe, na Casa Branca, uma vez mais. As razões fundantes deste pensamento são, pois, as seguintes: i) a absolvição cai na opinião pública como legitimação de Trump e não como captura do Senado pelos republicanos pró-Trump, ii) o Partido Republicano permanece, como dito, capturado pelo trumpismo, não tendo uma alternativa capaz de fazer crer numa conquista da Casa Branca sem o viés populista autoritário de Trump, iii) o Partido Democrático tem um presidente a-carismático e poderá apostar em Kamala Harris, uma candidata que não garante um consenso popular alargado. Portanto, o fantasma de Trump continuará a pairar fortemente, numa América ferida, dividida, e com as trincheiras reforçadas por esta absolvição.

Micropost [29] | Trumpty Dumpty had a great fall?

Dezembro 20, 2019

A grande questão não é se a destituição é aprovada no Senado, coisa, que não será, não só porque o Senado está dominado pelos republicanos, como nenhum impeachment foi aprovado naquela sede anteriormente. A questão é saber qual o efeito na popularidade e na reeleição de Trump. A julgar pela tipologia do seu eleitorado mais fiel e pela capacidade de vitimização e de resistência pública do presidente norte-americano, não será este processo que o vai impedir de ser reeleito. Tudo isto é prova de que vivemos um tempo diferente, que conjuga o realismo maquiavélico com a pós-verdade e uma bipolarização do sistema político e social, com a emergência de visões maniqueístas da sociedade e da atividade política e um nova onda de puritanismo ideológico.

Micropost [28] | Soem os trumpetes

Dezembro 19, 2019

As provas são contundentes contra Donald Trump. Não restam dúvidas de que o presidente dos EUA tem gerido o país com o mesmo cunho de tráfico de influências que gere as suas empresas. Aliás o país é apenas mais uma das suas empresas. É por isso que ele não percebe a gravidade dos seus atos. Infelizmente tenho dúvidas que o impeachment se dê -- apesar da aprovação da Câmara dos Representantes --, tendo em conta que necessita da aprovação de 2/3 do Senado. Em todo o caso os republicanos ficarão com a vergonha de terem salvo um presidente gravosamente corrupto no exercício das suas funções presidenciais.

O tal impeachement

Março 06, 2019

Corre pela internet a fora um pedido de impeachement ao presidente Jair Bolsonaro em resultado da publicação de um vídeo obsceno, utilizado como argumento anti-Carnaval. A natureza da publicação é considerada inadequada ao exercício de chefia de Estado, pelo que constituiria motivo para cassação do título presidencial. Sabendo Bolsonaro um populista eleito com um discurso racista, misógino e homofóbico, apoiado por uma frente evangélica ultraconservadora e moralizadora, a sua posição contra o Carnaval é de menor importância para a conjuntura, mesmo reconhecendo o significado social do Carnaval. De maior gravidade são as declarações sobre o excessivo peso orçamental da Educação e a medida conjunta designada Lava Jato da Educação que poderá incorrer numa tentativa de doutrinação geral, haja visto a enorme campanha levada a cabo com o objetivo de colar o nazismo com o socialismo. Em segundo lugar, é preciso ter presente que um pedido de impeachement levaria ao governo Hamilton Mourão, vice-presidente, abrindo portas para o regresso da Ditadura militar, ou permitira a entrada em cena de Sérgio Mouro, o ex-juiz que não seria político, agora Ministro da Justiça, ou até mesmo Paulo Guedes, o privatizador de todos os recursos do país. Seja como for, nem o cenário de impeachment é plausível, nem o futuro do Brasil parece simpático.  

Cólofon

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