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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Marinho e Pinto

Setembro 11, 2019

Marinho e Pinto apareceu assim, alfinetando criteriosamente a classe política e o sistema judicial. Bem parecia um revolucionário. Rapidamente adquiriu os tiques de personalidade dos populistas, quase todos grandes moralistas e moralizadores, de que no caso português António Salazar foi pioneiro. O problema destes moralizadores da pátria é que que tendem a ser apanhados nos paradoxos da ideologia e da ação. Ora veja-se Bolsonaro. Marinho e Pinto, por seu turno, foi um grande crítico dos salários dos eurodeputados, lugar onde esteve e para onde queria voltar. A incoerência saiu-lhe cara. Agora abandona a vida política, sem deixar saudades nem exemplo.

Os Marinhos e Pintos desta vida.

Setembro 23, 2014

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados soube usar do espaço público como plataforma de demagógica campanha pessoal. Num tom agressivo e popular, dando a entender um certo desapego a ambições políticas, soube ganhar potencial eleitorado entre os setores que mais lhe convinham,  catapultando-se para a cena política com a naturalidade de quem há muito o preparava. Aquando do debate sobre a coadoção os seus argumentos, embora de baixíssimo acréscimo qualitativo e sociológico, foram brandidos no tom certo para chamar a atenção de quem precisava de um populista "à antiga" para escalar a pirâmide partidária. A ambição desmedida do MPT foi castigada com um tremendo chuto no traseiro pelo agora eurodeputado. Mas como a demagogia e a ambição parecem-lhe não ter limites, nota-se que os lugares em Bruxelas não lhe chegam. Diria mesmo que MP tem a presidência da República no horizonte, a levantar em conta as suas declarações de que os deputados deveriam ganhar 4800€ mensais para ter uma vida digna na cidade de Lisboa.

Este é apenas um dos muitos exemplos, alguns bem piores, de como a cena política portuguesa está viciada e sempre aberta à demagogia. Há sempre espaço para quem tem "lata", para quem souber negociar com as grandes empresas e os lóbis que são a mão invisível que embala o Estado português. Há sempre lugar para quem fez carreira à conta de fundos europeus, de que cresceu com bandeiras partidárias na mão e nunca trabalhou fora dos corredores dos favores, e que construiu um sólido currículo de sombra de outro alguém. Já dizia o Ricardo Araújo Pereira num clássico sketch dos Gato Fedorento: "o que tu queres sei eu, pá!".