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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

11
Nov19

O novo velho eleitorado

De Bolsonaro ao Chega, de Trump ao Vox, o que procuram as pessoas que neles votam? Considerando as diferenças próprias de contexto, a verdade é que há elementos comuns entre tais eleitores que formam um continuum, um conjunto agregado de motivações partilhadas. Tratam-se de pessoas ressentidas com a marcha dos tempos, descamisados da globalização e do multiculturalismo. São pessoas arreigadas a valores morais que reclamam ser socialmente inquestionáveis. Pessoas que procuram uma materialização política dos seus próprios preconceitos, galvanizados por discursos feitos de chavões que não precisam refletir factos, basta, apenas, que se colem ao que pensam para serem elevados a proclamadores de "verdades incómodas", não se importando que para ver os seus preconceitos ampliados na esfera pública legitimem revisionismos e atropelos à Democracia.

11
Jun17

Vasco Pulido, que Valente confusão!

 Vasco Pulido Valente escreve no Observador sobre o Islão no Ocidente. E fá-lo num emaranhado mental profundo, na sapiência morna da ignorância. Ignora que o multiculturalismo pressupõe a pluralidade e não se reduz ao binómio cristãos-muçulmanos, muito menos numa ótica bons-maus. Nenhuma sociedade ocidental é produto da visão católica conservadora que Pulido Valente parece ter adotado na época da revista "O tempo e o modo". É um facto que a sua crónica apresenta argumentos válidos, coerentes com a realidade. O problema é, por um lado, a solução apresentada por VPV, e por outro a noção obtusa de «multiculturalismo» como dizendo respeito, no Ocidente, à presença do Islão. Ignora VPV que é multiculturalismo é o kizomba e a salsa, ouvidas nos bares lisboetas, o fado em Paris, a gastronomia gourmet e as múltiplas fusões de aromas e sabores, as filosofias orientais, as múltiplas formas religiosas com que os portugueses se deparam e às quais aderem de uma forma institucionalizada ou nos trilhos da «Nova Era». A menos que VPV encerre uma sociedade dentro de si mesma, fechando as suas fronteiras, e fundamentalizando-a - coisa que parece condenar - o «multiculturalismo» será, sempre, marca d'água da construção do tecido social urbano e não apenas. Mas eventualmente VPV acredita que todos os portugueses são católicos, escutam apenas música portuguesa e comem apenas a comida das nossas avós.