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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

O LIVRE e o PAN

Outubro 04, 2019

Para quem é de Esquerda o LIVRE é um partido de fácil identificação, enquanto espaço político que parece cumprir o papel de ser a Esquerda permanente do PS, ou uma versão europeísta do BE, se preferirem. No entanto, há que reconhecer que o LIVRE é a versão política daquele clube pequeno que joga bem, mas do qual ninguém é adepto. Há razões para isso, as quais já enumerei antes, e que dizem respeito à pouca atenção mediática, sobretudo. É verdade que Joacine Katar Moreira conseguiu trazer o LIVRE mais ao espaço da comunicação social, no entanto o viés tem sido a sua gaguez e não as suas ideias. Por outro lado, na margem das redes sociais, o LIVRE tem aparecido como o partido da militância negra, o que tem sido bom como visibilidade de uma causa importante no espaço público, mas que esvazia toda a demais agenda política. Espero que Joacine consiga ser eleita, bem como espero que a sua eleição seja capaz de ir além da agenda única, uma vez que o LIVRE sempre foi um partido com ideias claras e não de causas. 

O PAN, por seu turno, deverá eleger de 5 a 9 deputados, conquistando um grupo parlamentar. Sendo um partido de duas causas: animais e natureza, por esta específica ordem, o PAN tem observado um crescimento gigantesco, graças a uma boa estratégia de marketing, com outdoors fortes, bem desenhados e estrategicamente colocados, e ao apoio massivo da imprensa, que tem feito do PAN um partido pioneiro na ecologia, facto que não procede. A questão será, então, avaliar o grau de competência e de intervenção deste grupo parlamentar, depois de André Silva ter passado uma legislatura a abster-se nas votações e perante o despreparo apresentado em debates, quer pelo próprio, quer por alguns cabeças-de-lista de várias regiões. 

"eu é mais gatos e ambiente"

Outubro 01, 2019

À excepção dos radicais animalistas (diferente de ser defensor do direito dos animais), muitas são as pessoas seduzidas pela narrativa ambientalista do PAN, como se este fosse o único partido "verde". Convém ter presente que um partido em vias de eleger dois deputados deve estar preparado para avaliar, aprovar ou rejeitar medidas que vão da saúde à economia. Ora, o sr. André Silva, que irá cumprir a segunda legislatura, não teve tempo, pelos vistos, para se dedicar a conhecer outras pastas. Não só se absteve, ao longo de todo o mandato, da grande maioria das votações, como surgiu nos debates a querer subordinar todas as discussões a temas ambientais. Lembra a velha rábula de Herman José, "eu é mais bolos".

O programa do PAN

Setembro 19, 2019

Uma vez que o PAN cativou a Ecologia - fazendo passar a ideia de que foram eles que inventaram a agenda da sustentabilidade ambiental - parece gozar de uma condescendência alargada em face das inúmeras alterações ao programa eleitoral, continuando a crescer nas intenções de voto. Tenho dificuldade em tomar por bem um partido que à medida que as críticas vão-lhe sendo feitas vai pegando na borracha e suprimindo parcelas do seu programa. São caso disso as entradas sobre os encontros entre as vítimas e os seus agressores ou a apologia do lusotropicalismo. Se ao fim de uma legislatura o PAN não é capaz de ter um programa fechado, coerente e que o possa defender até ao fim, que justificação existe para nele votar?

pan. pol. ista

/ adjetivo / modo de ser populista próprio do PAN

Agosto 28, 2019

A proposta de criação de um SNS para cães e gatos, apresentada pelo PAN, tem um total alheamento da realidade. Num país onde o SNS para humanos não é capaz de responder, de forma condigna e equilibrada a todos, possuindo inúmeros problemas desde fraudes a falta de médicos, a proposta de criação de um SNS para cães e gatos é impraticável. Ora, pela incidência das propostas sobre cães e gatos, animais domésticos maioritários, percebemos que o enfoque do PAN não é ideológico mas eleitoral, visando um eleitorado urbano que, por circunstâncias sociológicas, se fechou sobre si, no universo da sua conta de instagram de petlover.

As lutas partidárias do futuro

Agosto 19, 2019

Duas grandes lutas travar-se-ão no futuro. A primeira entre o populismo de Direita radical e a Democracia Plural, batalha cada vez mais cerrada numa época de nostalgia dos fascismos em resultado da pluralização social e do canto da sereia dos políticos entre queridos líderes e "gente como nós". A segunda batalha, extremamente visível em Portugal, é a batalha pelo monopólio ecológico. A agenda ambiental entrou fortemente na política nacional, muito graças ao crescimento exponencial do PAN e, de um momento para o outro, todos os partidos se converteram em ecologistas. Felizmente, ao contrário do tema anterior, essa batalha é por uma causa nobre, justa e essencial. 

O PANdemónio ideológico

Junho 03, 2019

Numa altura em que o PAN cresce a olhos vistos, graças a um slogan ambientalista que não é a sua base ideológica, convém alertar que o mesmo é um partido ultra-radical, cujos fundadores não concebem outra religião que não o budismo, e para o qual o veganismo não é uma opção, mas deve ser uma imposição do Estado. Como bem lembra Daniel Oliveira no Eixo do Mal, o PAN quer acabar com os pensos higiénicos, impor a proibição de consumo de carne, e estabelecer regras de habitabilidade para a posse de animais domésticos que não existem para a maioria dos seres humanos. Como o mesmo afirma, uma vez mais, o PAN não é um partido ambientalista mas animalista. Ora, se é verdade que o grau de civilidade de uma sociedade se avalia, também, pela forma como esta trata os animais, também é um facto que os direitos dos animais não podem ser o fim em si mesmo da ação política, pelo menos uma que tem assento parlamentar e europeu. Sendo um partido de inspiração doutrinária budista, a causa animal resulta da sua crença na reencarnação sob todas as formas. Nesse sentido, a sua ação política não é mais do que uma aupreservação aspiracional.