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Dias Assim

As Sobras das Vacinas: o que fazer?

Fevereiro 12, 2021

João Ferreira Dias

As sobras das vacinas é, por ventura, um dos temas mais delicados associado ao processo de vacinação. Por vários fatores (como por exemplo o não comparecimento ou a impossibilidade de administração por apresentação de sinais virais) ocorre que sobrem doses que estavam previstas serem dadas. O que fazer com elas é uma questão séria, porque pode impulsionar a administração facilitista ou suspeita. Por essa razão, sou a favor da existência de um protocolo, que passa por vacinar bombeiros, agentes de autoridade e pessoal auxiliar hospitalar (limpezas, cantina, etc.).

O fecho das escolas e os que ficam para trás

Fevereiro 08, 2021

João Ferreira Dias

O jornal Público traz uma reportagem que mostra como as assimetrias sociais estão bem patentes neste momento de regresso às aulas online. Esta situação deixa-nos, enquanto sociedade apreensivos, particularmente quem tem um olhar abrangente sobre o país. Susana Peralta, como outras tantas pessoas, apresenta este cenário como justificação para que as escolas tivessem permanecido abertas. Em rigor, na escola do meu filho mais velho, várias crianças não têm acesso às aulas online, nem suporte familiar que lhes permita o acompanhamento escolar. Esta situação é profundamente preocupante, porque agudiza o fosso social e cristaliza as fronteiras sociais, deixando muitos para trás, porque a meritocracia funciona muito bem na Quinta do Patino. Mas isto não invalida que as escolas eram focos de infeção, e que tal facto pesou e muito, inclusive porque muitas crianças estavam e estão, quotidianamente, entregues aos avós.

O que fazer com as escolas?

Janeiro 20, 2021

João Ferreira Dias

A escola desempenha um papel determinante no combate às desigualdades sociais e económicas, sendo, muitas vezes, o único lugar onde as crianças e jovens em situações carenciadas obtêm uma refeição decente. No entanto, esse papel, em várias autarquias, foi exercido de forma suficiente durante o anterior confinamento, tendo sido possível levantar as refeições diariamente. É preciso ter presente, na análise à necessidade vs viabilidade de encerramento dos estabelecimentos de ensino, que um número muito elevado de crianças está diariamente com os avós, sendo estes quem os vai levar e buscar à escola, e com quem ficam até à noite, ou mesmo toda a semana. Essa situação já acarreta, por si, um risco elevado, porque muitos pais continuam e continuarão a depender desse apoio familiar. O que me parece evidente é que sabendo que os casos aumentariam exponencialmente com a flexibilização das festas de fim de ano e com a chegada do frio, poder-se-ia ter a) antecipado o começo das aulas em Setembro, b) alargado o período letivo até finais de Junho, começo de Julho, c) suspenso as férias da Páscoa, de forma a garantir que em Janeiro as escolas estariam encerradas. Isto porque apesar de todos os cuidados, tem havido surtos de casos nas escolas, os quais se tornam cadeias de transmissão difíceis de controlar – uma família não tem possibilidade de colocar uma criança em isolamento e a mesma pode ser assintomática, o que transporta uma falsa sensação de segurança para o núcleo familiar e relacional da criança.

Assim, fechar as escolas nos termos do confinamento geral anterior é insustentável (com exceção para o ensino universitário, nomeadamente o privado). Todavia, encerrar como período de férias e retomar o regular funcionamento posterior é, ainda, possível.

Cólofon

Dias Assim é um blogue de João Ferreira Dias, escrito segundo o Acordo Ortográfico, de publicação avulsa e temática livre. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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