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Pedro Passos Coelho irá lecionar em três universidades, entre elas a Universidade de Lisboa, na categoria de professor convidado catedrático, ministrando nos cursos de mestrado e doutoramento em Administração Pública e Economia, burlando, desta forma, o processo normal de acesso e ascensão na carreira de docência universitária. Trata-se de uma situação gravíssima, porque lesa diretamente, e de uma só vez, a integridade institucional da universidade e a cientificidade da carreira académica. O ex-primeiro-ministro é detentor de uma simples licenciatura, sem qualquer trajeto científico credível (ver CV). Não há registo de publicações científicas, não há um trajeto com dissertações e teses, não há nada, a não ser uma carreira na JSD, no PSD, a atuação como PM, muitos favores e bastante nevoeiro. O grave disto já não é, note-se, a promiscuidade que está patente de forma tão declarada, é, sim, o desrespeito absoluto por todos aqueles que no anonimato vêm procurando construir um currículo científico sólido, muitas vezes sem bolsas de estudos, com inúmeras dificuldades, agruras, e que aguardam durante anos, não raras vezes na qualidade de investigadores pós-doc, por diversas vezes, ou simplesmente como investigadores associados e integrados em centros de investigação, por uma oportunidade, por uma vaga de docência, que pode nunca chegar, mas que está sempre disponível, aqui ou ali, para pagar favores a políticos com robustez científica de vão de escada. Num país em que um licenciado é dr., andamos a brincar com a ciência e a docência. Num país em que um licenciado é dr., andamos a brincar com a ciência e a docência. 

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Existe um país que só Pedro Passos Coelho conhece, todo ele vivente no seu imaginário. É feito de cortes permanentes, de um proletariado pobre e feliz, tecido numa nostalgia do Estado Novo. Bebe da grande marcha troikista, e vai triunfante no seu sorriso de bobo messiânico. Só ele ainda não percebeu que se mantém como líder do PSD porque o partido não goza de grande popularidade, e por isso mesmo ninguém com um mínimo de coerência e amor-próprio vai querer o lugar de PPC. Não que ele seja um homem só no poder, longe disso. O ex-primeiro-ministro é o homem certo no momento certo, alguém para ir desgastando a imagem, para oferecer os ombros nas derrotas autárquicas e nas legislativas. Depois de esgotada a imagem política de Passos Coelho surgirá quem possa oferecer uma "nova página na história do partido". 

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Catroga já falou na necessidade de novos cortes. O governo já deixou escapar o imperativo de cortes de 600 milhões. Percebe-se que a narrativa dos sacrifícios temporários em nome da recuperação é uma mentira. A austeridade será perpétua. Mas a coligação tem a coisa bem ensaiada, desviando a atenção para o PS, apontando-lhe o dedo como potenciais despesistas e cujo programa e promessas importam observar. Ora, existe um PM em funções que mentiu descaradamente aos portugueses, prometendo o contrário do seu programa, e que depois de eleito afirmou que com ou sem troika aquele era o caminho. O PS precisa abandonar os sentimentos de culpa do passado recente e inverter o horizonte, relembrando aos portugueses as promessas não cumpridas do governo e uma política que mais pensa nas empresas. Há que não deixar o bullying ganhar.

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Passos Coelho tem um lamento: o de não ter sido capaz de tornar a mão-de-obra mais barata para as empresas. Não é uma presunção, é ele mesmo que o diz, durante o debate quinzenal. Não restam dúvidas - se tais houvessem - ao serviço do quê e de quem se encontra este governo. O capital é quem mais ordena, vamos vendo, ouvindo e lendo. O "aguenta aguenta" que Ulrich deixou escapar não foi um deslize, foi uma afirmação segura de um modelo de pensamento e de gestão que pauta Portugal e o mundo. Sobre os cidadãos recai o dever de carregarem às costas, de bolsos vazios, os bancos e as grandes empresas, financiadores de campanhas em tons laranja e azul pseudo-católico e garantes de futuros amanhã a reclamar. Há lugares marcados para quem é "bom menino" e faz o que lhe mandam fazer.

Está, portanto, caro o emprego para as empresas, senhor Primeiro-ministro. Folgamos em saber o seu (salvo-seja, que mesmo para isso é preciso tê-lo) raciocínio. Pobres empresas, diria o senhor, que para terem trabalhadores são obrigadas a pagar-lhes. Bons eram os tempos do trabalho servil, de sol-a-sol, de chibata na mão. Ah, a nostalgia da escravatura. Só pode ser mesmo isso, levando em conta que o trabalho é, em média, pago a 581€ mensais. Uma exorbitância, portanto!

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O espetáculo da campanha eleitoral está lançado. Não é, pois, de estranhar que o velho conceito norte-americano de eleições como "corridas de cavalos" pareça, sempre, tão válido, à medida que o noticioso se torna mediatizado, e os sound-bites funcionam melhor do que os programas eleitorais. Longe vai o "que se lixem as eleições", a que já várias vezes aludi. Em política o dito ontem não produz efeito, sabendo que a memória coletiva se faz mais do que se esquece do que daquilo que se recorda. Ademais, como as mentiras eleitorais não produzem efeitos legais, isto é, os políticos não podem ser condenados por mentir ao eleitorado, vivemos numa espécie de anarquia democrática onde vale tudo para alcançar o poder (e ficar por lá). 

Depois de ter aconselhado os portugueses a emigrarem - conselho que hoje vemos sábio, uma vez que anunciava a desgraça do que seria o seu governo -, o executivo de Passos Coelho está de olho no eleitorado emigrante e lança um programa chamado "VEM", que à laia de acolhimento de braços abertos dos filhos pródigos oferece estágios aos portugueses desempregados lá fora e apoio a projetos de investimento e, numa jogada que visa captar o capital acumulado pelos emigrantes durante a emigração, forçando-os a injetarem-no em Portugal, sob a promessa de eventuais apoios financeiros a tais projetos. Esta medida, apresentada por um Pedro Lomba que confunde emigração com Erasmus, é a caça ao voto e ao dinheiro do emigrante. 

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 Não sei se muitos dos portugueses se lembrarão do "que se lixem as eleições". Entre as palavras e os atos nem sempre há coincidência em política. Melhor dizendo, raramente há. Sempre afirmando que não está agarrado ao poder, cola-se a este como uma lapa numa rocha banhada pelo sol e mar, onde a vida é boa. Este senhor que passa a vida a vender moral de que "não somos a Grécia", uma ladainha que assenta muito bem ao figurino, convém que meta mão à consciência, perante a sua terrível falha junto da segurança social, e reconheça que para todos os efeitos não somos também a Suécia - país onde, em 2006, a ministra da cultura se demitiu depois de ter esquecido de pagar a taxa de contribuição de Televisão - ou já estaríamos a eleger novo Primeiro-ministro. A prova de que está agarrado ao poder é o recurso, em desespero de causa, à narrativa do desgraçadinho, procurando ganhar a simpatia nacional pela via da sensibilização, numa altura em que afirma também o seu desejo por uma maioria absoluta. Diz Pedro Passos Coelho que nunca viveu acima das suas possibilidades e que não pagou a segurança social por falta de dinheiro. Que tamanha aritmética emocional! Esquece S. Ex.a o Primeiro-ministro que em Portugal uma fatia considerável da população tem de deixar de comer ou tomar medicamentos para pagar os impostos. Há muito de paternalismo saloio no seu discurso que tenta, por todos os meios, colar-se ao povo dizendo "sou um de vós". Ora, a maioria da população não fez vida com a bandeira do PSD na mão. Os calos dos portugueses são de trabalho, não de propagandismo. Aliás basta olhar a formação de PPC e o que não trabalhou toda a vida para se perceber que ele vive muito acima das suas possibilidades. 

 

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1. A natural vitória de António Costa deu origem a um natural mal-estar generalizado na direita portuguesa. Ninguém nega que o timing de Costa tenha sido, de algum modo, melindroso, mas não foi impensado. Diante de uma governação pesada, desmedida e irresponsável da coligação PSD-CDS, o PS com António José Seguro revelou-se incapaz de gerar consenso e afirmar-se como alternativa credível. Em rigor, o Partido Socialista foi sendo mais uma voz descontente do que um partido de oposição, parecendo uma versão light, e porque não dizer esbatida, do PSD. Não é isso que o país necessita. Não tenho, da minha parte, ilusões de que Costa seja um messias, mas isso é em verdade uma coisa boa em política. O messianismo já levou o país para caminhos não saudosos noutras situações. Agora, acredito que António Costa seja a pessoa certa, diante do lote dos possíveis, para refazer o partido e o relançar numa dimensão mais social-democrata e menos laranja esbatida.

2. A vitória de Costa gerou, pois, um notório desconforto à direita, a julgar pelas reações em blogues. Ao que parece há muita gente satisfeita com a governação de Passos Coelho, preferindo este doce embalo da ideologia dominante capitalista, selvagem e a-ética. São gostos, portanto. Tal desconforto e até receio advém da consciência do quão fracos são os políticos que nos governam, do quão fraca é a competência e o mérito real de PPC. António Costa assusta, e muito, porque não é alguém que apareceu ao sabor da corrente, que cresceu a abanar bandeiras partidárias e metido em empresas duvidosas viventes de financiamentos europeus.

3.O tempo dirá se Costa vai, precisamente, a tempo de se tornar Primeiro-Ministro. O dito corre contra ele, é um facto, mas exceptuando grandes medidas populistas e promessas vãs que já conhecemos, PPC não parece nem de perto alguém capaz de fazer sombra a AC.

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O País Relativo

11.02.14

"O país não pode ficar como estava há 30 ou 50 anos", diz Passos Coelho. Se esse não é o seu programa de governo finge particularmente bem. O empobrecimento generalizado, o ataque à ciência e às universidades, a emigração forçada e a desesperança latente pintam um quadro muito salazarista. Do Portugal que se esperou e tentou construir já sobra pouco. Vá lá sr. Primeiro-Ministro, mais um esforço que o país "aguenta, aguenta".

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Apetece-me dizer "M'espanto às vezes, outras m'avergonho" dos órgãos de soberania nacional. Já fiz questão de dizer que há um projeto de empobrecimento generalizado bem traçado. A destruição da classe média e a revitalização do modelo de sociedade do Estado Novo, em que um grupo privilegiado detém o capital e uma grande massa operária é fator de produção sobre o qual se edificam os anteriores; uma massa mal paga, precária, mas humilde e conformada. Pedro Passos Coelho já fez questão de afirmar que mesmo sem as grilhetas da troika esta seria a estratégia deste governo. Portugal, a reboque de um modelo europeu revivalista do pior lado da industrialização, tem no seu governo um fiel defensor do desmantelamento do Estado Social, da mobilidade social e das possibilidades de uma sociedade democrática. O governo não negoceia com a troika porque esta lhe serve bem os propósitos. As conquistas dos últimos anos estão propositadamente a ser depositadas numa incineradora. E quando Durão Barroso, altamente conivente com esta política europeia e portuguesa, se candidatar a Presidente da República convém que as pessoas se lembrem de que ele foi um dos que nos empurrou para o abismo quando estávamos a olhar o precipício. 

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A opinião que tenho sobre o primeiro-ministro e outros políticos da sua geração já a depositei aqui algumas vezes. Não adianta repetir a não ser reforçar que o carreirismo das "jotas" é altamente nocivo para o país. Dois anos após a sua tomada de posse como primeiro-ministro, tendo herdado um país em colapso, o máximo que conseguiu foi levarmos a uma situação muito pior. A reboque de Vítor Gaspar -- ideólogo do governo e seguidor do ministro alemão Wolfgang Schäuble -- ministro que acabaria por sair pela porta pequena, falhadas as suas políticas de austeridade homicida, PPC entregou o país à insustentabilidade. Esgotada a possibilidade de continuar a culpar o governo anterior, agora atira as culpas para cima de Paulo Portas, numa verdadeira lamúria de desgraçadinho. Para Portas é muito bem feito, afinal atrás do sonho de ser primeiro-ministro sem o ser deixou-se vestir com o colete de forças laranja bem ensaiado. Continuamos a ter uma classe política que procura a desculpa para a derrota antes de tentar a vitória. 

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Dossier Presidenciais Brasileiras 2018


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