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Dias Assim

07
Abr21

Rio Seco

Quando Rui Rio assumiu a liderança do PSD e prometeu recentrar o partido, procurando recuperar a herança Social-democrata tendencialmente de Esquerda do mesmo, sentiu-se um novo aroma, após o «passismo» — um período de bancarrota do país, mas marcado pela ideologia ultraliberal da privatização at large, pela crença na culpa dos cidadãos, e pelo esforço por construir uma narrativa hedionda do PS* —, que foi sendo de curta duração, à medida que o Rui Rio ia manifestando desprezo pela independência do judiciário e pela liberdade de imprensa. Chegámos ao período de preparação das eleições autárquicas e Rui Rio não foi capaz de evitar a deriva populista, confirmando Suzana Garcia como cabeça de lista à Amadora e o apoio a Isaltino Morais a Oeiras. No desespero para reivindicar vitórias, Rio abriu mão da salvaguarda da imagem do partido. Imagino José Eduardo Martins agarrado ao estômago.
 
* é inegável a má gestão de José Sócrates, mas convém ter presente que o ex-primeiro-ministro atravessou duas ideologias na Europa, primeiro o incentivo ao endividamento e despesismo do Estado, depois a inversa. E, por fim, como Porfírio Silva recorda, na sua conta no Facebook, o CDS e o PSD forçaram um memorando de entendimento de resgate danoso para a imagem do governo cessante.
14
Out20

A Carta de Amor de André a Rui

André Ventura escreveu uma carta a Rui Rio, defendendo que a queda do governo socialista, que ele entende que virá, trará a oportunidade de governo a uma coligação "inevitável" entre o PSD e o Chega. Ventura é um tipo da área política do PSD que tinha pressa de chegar ao Parlamento e muita sede de protagonismo. Criou o Chega para atrair os votos das franjas sociais mais descontentes, com teorias da conspiração, com voz nas caixas de comentários. Mas ele não quer estar preso a estas amarras eternamente, a menos que tenha de ser. Por isso, tanto joga no campo da extrema-direita europeia, quanto tenta aproximações ao centro. Aquilo que ele mais quer é aquilo que ele mais acusa os outros de quererem: poleiro.

08
Ago19

Um Outubro quente seca o Rio

Com Outubro cada vez mais perto (afinal até chove) veremos o PSD desbaratado no rescaldo das eleições, quando chegar a longa noite de Miguel Morgado. Com isso, e por culpa de Rui Rio não ter feito o que se propôs, i.e. recentrar o partido, o PSD transformar-se-á num partido radical, esvaziando o centro-direita e arrastando o CDS no embalo do populismo. E isto não pode, de maneira alguma, ser celebrado à esquerda. Sem um centro-direita vivo, a extrema-direita ganha terreno e a Democracia põe-se em risco. No Brasil não apenas o PT perdeu para que Bolsonaro fosse eleito. O PSDB foi, também, assassinado.

Cólofon

Dias Assim é um blogue de João Ferreira Dias, escrito segundo o Acordo Ortográfico, de publicação avulsa e temática livre. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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