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Dias Assim

Virologia Política

Janeiro 10, 2021

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Esta imagem vem da frente do Capitólio e mostra-nos o quanto a Democracia é um regime frágil e que precisa de vigilância. Mostra-nos, também, que a Democracia precisa de limites, porque a voz do povo nem sempre é razoável, nem democrática, podendo, em qualquer momento, considerar que um regime não-democrático serve melhor os interesses coletivos. Pior: há segmentos sociais ansiosos por políticos que lhes dêem voz. Foi o que Trump fez, congregando anti-democráticos, racistas, teóricos da conspiração, evangélicos fundamentalistas. Para este vírus falta-nos vacina, infelizmente. Lá e cá.

A Luta de Trump

Janeiro 05, 2021

Trump trouxe um novo sentido de Estado e uma nova configuração ao papel do Chefe de Estado. Não foi uma inovação proveitosa, todavia. Ele é o déspota iluminado às avessas, que não aceita outros resultados, compromissos, ideias, valores, que não os que lhe são favoráveis. Infelizmente, este modelo de atuação fez escola, e há quem veja na tipologia do político-arruaceiro méritos, fazendo de tudo para o copiar. A decência e a classe, felizmente, não andam exclusivamente atreladas à posse de capital. Trump nunca percebeu que em Democracia o poder pertence aos cidadãos e que não é um direito seu por legitimação divina. É por isso que não abre mão de uma guerra que pode trazer efeitos nefastos à estabilidade social, política e económica do país, apenas para vincar uma posição sem qualquer fundamentação na realidade.

Micropost [60] Eleições Americanas

Outubro 07, 2020

Segundo as sondagens Biden leva 16 pontos de vantagem sobre Trump. As notícias são boas, mas o facto de Trump ter informado que não reconhecerá as eleições caso perca, deixa tudo nas mãos do Supremo Tribunal, controlado pelos republicanos e onde ele irá colocar uma peça determinante. Poderemos estar prestes a ver os EUA perderem a Democracia. Eleger um egocêntrico patológico foi um péssimo serviço prestado ao mundo.

Micropost [58] Amy Coney Barrett

Setembro 27, 2020

este é o nome escolhido por Donald Trump para o Supremo Tribunal, para substituir Antonin Scalia, falecido. Barrett é uma defensora da interpretação literal da Constituição norte-americana, opositora ao aborto, conservadora católica. Segundo Trump, vem garantir a liberdade religiosa no país, metáfora para dizer que vem defender uma visão religiosa da sociedade. O ST fica, definitivamente, desequilibrado em favor dos Republicanos, um partido tomado pela Oligarquia Trump, como se pode ver no último congresso do partido.

Em desalinho com Ana Sá Lopes

Agosto 06, 2020

No editorial do Público, escreve Ana Sá Lopes que "O improvável Joe Biden será, ao que tudo indica, o próximo Presidente dos Estados Unidos da América". Tenho pouca simpatia pelos wishful thinkings na análise política. Por vezes demais este tipo de raciocínio descambou em prognósticos desligados da realidade. Um deles foi, precisamente, o das eleições norte-americanas, quando ninguém dava a vitória de Trump como possível. É o problema de se pensar o mundo a partir do «lugar de fala» elitista - ele só existe na sua bolha e não tem aderência à realidade, muito mais multivocal. Recomenda-se prudência. Em primeiro lugar porque, como a jornalista pontua, Trump pretende adiar as eleições. Esta é uma estratégia, obviamente, que visa a perpetuação no poder pelo tempo que lhe for "democraticamente" impossível. Além disso, apesar dos efeitos económicos da covid-19, a verdade é que a América não pode ser pensada a partir dos Estados urbanos, mas antes precisa ser vista a partir da sua dimensão multipolarizada, uma vez que os Estados do midwest e do eleitorado "redneck" tende a reagir de forma agressiva em tempos de crise económica, voltando-se ainda mais para os seus valores ultraconservadores. Ora, Trump continua a ser a pessoa que melhor representa esse manual de valores que vão do racismo, ao ultranacionalismo, passando pelo machismo e pelo conservadorismo religioso. 

Quanto à possibilidade de Michelle Obama surgir como número 2 de Biden, compreendo os argumentos de Ana Sá Lopes, mas também aqui estou em desacordo, uma vez que a administração Obama foi, ainda, em tempo recente, e isso pode ser aproveitado por Trump. Além do mais, Michelle tem capital político e intelectual para surgir, numa futura eleição, como candidata presidencial, pelo que nesta fase estaria a esgotar tais recursos. Melhor seria um endorsement without commitment

Um desserviço à Democracia

Junho 11, 2020

O Observador traz um fact check relativo a imagens em que Trump aparece a segurar a Bíblia da mesma forma que Hitler, como se o ponto fosse esse. Que triste mundo de infantilismo e fanatismos. De que serve à Democracia que radicais de Esquerda associem Trump a Hitler? O efeito é, sempre, o contrário, descredibilizando as condenações legítimas a Trump e reforçando a paranóia de vítima de perseguição. O ato de mandar dispersar uma manifestação pacífica para realizar uma caminhada triunfal e exibir uma Bíblia é, já de si, um momento horripilante e uma vilania para com a Democracia. Se isso por si só não chega para da Esquerda à Direita gerar indignação democrática então a Democracia está em coma induzido.

Micropost [38] | E depois do vírus?

Março 19, 2020

O tempo é, ainda, de modo periclitante, de combate, mas podemos começar a levantar dúvidas sobre o pós-crise. O tempo que daí advirá terá similitudes com um tempo de pós-guerra, demandando por um novo Plano Marshall global, exigindo líderes fortes, capazes, audaciosos e humanistas. Sabendo do lugar que os EUA ocupam na geopolítica, o sucesso da recuperação económica mundial poderá estar em causa com uma liderança como a de Trump.

Micropost [36] | Trump-19

Março 15, 2020

Como um mal não vem só e tudo está interligado, preocupa-me os efeitos do covid-19 nos EUA e, por arrasto, no planeta. Um país cujo presidente primeiro nega, depois desvaloriza para depois declarar emergência nacional, onde não existe sistema nacional de saúde, poderá cair numa espiral de descontrolo. Pior, Trump poderá aproveitar o momento para suspender as eleições e fazer uma campanha de demonização da China com teorias da conspiração num país cheio de fanáticos pelo imaginário do Apocalipse.

Micropost [23] | Pós-Democracia

Novembro 29, 2019

O processo de impeachment de Donald Trump revela de forma clara e evidente a extensão e a gravidade das ações de um homem que acredita ter comprado o país como quem compra uma empresa cotada na bolsa. Aquilo que outrora seria matéria mais do que suficiente para a destituição e a vergonha de uma nação, não conduzirá a nada. Os seus apoiantes tomam por normais as suas violações democráticas. Na era do cansaço da ética tudo é lícito a um certo tipo de pessoas. Teremos Trump por mais um mandato e a consolidação da era pós-democrática como paradigma vigente.

O novo velho eleitorado

Novembro 11, 2019

De Bolsonaro ao Chega, de Trump ao Vox, o que procuram as pessoas que neles votam? Considerando as diferenças próprias de contexto, a verdade é que há elementos comuns entre tais eleitores que formam um continuum, um conjunto agregado de motivações partilhadas. Tratam-se de pessoas ressentidas com a marcha dos tempos, descamisados da globalização e do multiculturalismo. São pessoas arreigadas a valores morais que reclamam ser socialmente inquestionáveis. Pessoas que procuram uma materialização política dos seus próprios preconceitos, galvanizados por discursos feitos de chavões que não precisam refletir factos, basta, apenas, que se colem ao que pensam para serem elevados a proclamadores de "verdades incómodas", não se importando que para ver os seus preconceitos ampliados na esfera pública legitimem revisionismos e atropelos à Democracia.

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