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O maniqueísmo com que se vê tratada a questão da Venezuela é de enorme ingenuidade e só serve para alimentar a perceção de uma nova guerra fria. Isto nada tem a ver com ditadura comunista versus democracia. Nem a Venezuela é uma ditadura clássica, nem os EUA são particulares guardiões do princípio democrático. Como bem sabemos, o neo-liberalismo não se compagina com ajuda humanitária. Isso é um logro. Se assim fosse, não haveria mais de 40 milhões de americanos a viver abaixo ou no limiar da pobreza. Tudo isto é uma guerra pelo recurso que mantém viva a máquina imperialista norte-americana e os seus aliadas. O segredo está em saber como mover as peças certas para que o petróleo permaneça nas mãos mais suaves para o Ocidente. Não é realpolitik é apenas a lei da sobrevivência e do mais forte. Hoje é o petróleo a ordenar o mapa das relações internacionais, amanhã será a água.

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Henrique Raposo é um cronista conservador. Nada contra. O problema é quando se confunde a posição de conservador com o apego aos extremismos moralistas e ideológicos. Na sua última crónica no Expresso, para poder atacar Maduro, confunde socialismo com regimes autoritários que derivaram do socialismo. Para ele, existe uma relação direta entre socialismo e ditadura. O problema é que este tipo de argumento populista é incapaz de explicar as ditaduras de direita, para além de ser incapaz de perceber o socialismo nas suas dimensões democráticas. Para este pilantra do raciocínio, só existe um modelo de sociedade possível e funcional: o do liberalismo, modelo esse que, aliás, tem feito maravilhas pela inclusão social e pela paridade. O maniqueísmo é tão decadente que virou kitsch. 

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[para que não sobrem dúvidas: não apoio Maduro]

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Como se previa, até pelas declarações apressadas de Flávio Bolsonaro, meses atrás, a Venezuela é o palco escolhido para o confronto ideológico entre a aliança em torno de Trump e o eixo russo-chinês. Seja qual for o desfecho, a Venezuela continuará sem a sua autodeterminação. Estamos diante de um jogo geopolítico. Não é, nem jamais foi, o povo venezuelano a razão das coisas.

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Dossier Presidenciais Brasileiras 2018


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