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 Vasco Pulido Valente escreve no Observador sobre o Islão no Ocidente. E fá-lo num emaranhado mental profundo, na sapiência morna da ignorância. Ignora que o multiculturalismo pressupõe a pluralidade e não se reduz ao binómio cristãos-muçulmanos, muito menos numa ótica bons-maus. Nenhuma sociedade ocidental é produto da visão católica conservadora que Pulido Valente parece ter adotado na época da revista "O tempo e o modo". É um facto que a sua crónica apresenta argumentos válidos, coerentes com a realidade. O problema é, por um lado, a solução apresentada por VPV, e por outro a noção obtusa de «multiculturalismo» como dizendo respeito, no Ocidente, à presença do Islão. Ignora VPV que é multiculturalismo é o kizomba e a salsa, ouvidas nos bares lisboetas, o fado em Paris, a gastronomia gourmet e as múltiplas fusões de aromas e sabores, as filosofias orientais, as múltiplas formas religiosas com que os portugueses se deparam e às quais aderem de uma forma institucionalizada ou nos trilhos da «Nova Era». A menos que VPV encerre uma sociedade dentro de si mesma, fechando as suas fronteiras, e fundamentalizando-a - coisa que parece condenar - o «multiculturalismo» será, sempre, marca d'água da construção do tecido social urbano e não apenas. Mas eventualmente VPV acredita que todos os portugueses são católicos, escutam apenas música portuguesa e comem apenas a comida das nossas avós. 

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