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O Estado dos Dias

«O dia precedente é o mestre do dia seguinte.» - Píncaro

Velma e a sexualidade na BD

10
Out22

Velma, personagem da icónica BD Scooby-Doo, apaixona-se pela vilã no novo filme Trick or Treat Scooby-Doo!Neste caso encontramos embrulhadas uma série de questões. Em primeiro lugar, a de saber se os desenhos animados devem ser sexualizados. A verdade é que a sexualização dos desenhos animados é um fenómeno antigo, desde a mulher do rato Mickey, passando pelas personagens da Disney, e chegando a desenhos animados como American Dad. O Scooby-Doo, com efeito, já tinha personagens sexualizados, basta ver o caso de Daphne Blake, personagem feminina que representa a colegial sensual ou Fred Jones, o galã louro. A questão é desconsiderada pela sua natureza heteronormativa. Segundo, se o problema, ao caso, passa, então, pela sexualidade Velma. E a resposta é "sim". Velma há muito que é imaginada como lésbica pelos autores da série. O que se passa é que agora se considerou que havia um ambiente favorável à afirmação como tal. Portanto, retomo que o problema não é a sexualização da personagem, porque elas já o eram, mas a orientação sexual de Velma que choca com o que um segmento alargado da sociedade considera como incorreto, imoral ou doença. Daqui emerge uma terceira questão: havia necessidade de tornar Velma homossexual? Trata-se de um detalhe que não acrescenta nada à história, portanto em termos concretos "não". Mas vivemos num período de batalha pela representatividade, pelo que cada vez mais teremos personagens não-binárias e de diferentes minorias. Tal facto cria uma desordem junto das pessoas mais conservadoras que não compreendem que desenhos animados, filmes e séries maioritariamente brancos e cisgénero é uma escolha ideológica em torno do imaginário do que é a «normalidade social».